09/10/2018 - 08:08 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o IPCA apresentou aceleração em setembro. Nos EUA, mercado de trabalho segue robusto e desemprego atinge mínimos históricos.

No Brasil, a alta do IPCA foi impactada pelos preços dos combustíveis em setembro. No mês, o IPCA aumentou 0,48%, resultado levemente acima da nossa expectativa (0,46%) e do mercado (0,44%). Em agosto, o índice havia recuado 0,09%. Em 12 meses, o IPCA reverteu trajetória de queda, com aumento de 4,28% para 4,53%, entre agosto e setembro. Entre os grupos, destaque para a elevação dos preços administrados (de 0,26% para 0,96%), alta explicada pelo aumento dos combustíveis em setembro, com gasolina e etanol subindo 3,94% e 5,42%, respectivamente. O grupo transportes acelerou de 0,21% para 1,69% (passagem aérea subiu 16,8% em setembro, contra queda de 26,1% em agosto). Com relação as métricas de qualidade da inflação, o IPCA de serviços continuou desacelerando passando de 3,34% para 3,22% em termos anuais entre agosto e setembro e a média dos núcleos de inflação se manteve próxima dos 3%. A pressão dos itens mais sensíveis ao repasse da desvalorização cambial, somado ao efeito dos preços dos combustíveis, propicia a possibilidade de uma aceleração mais intensa nos preços. Diante desse cenário, há um viés de alta para nossa projeção de 4,3% para o IPCA de 2018.

A produção industrial (PIM) surpreendeu negativamente na margem em agosto. A PIM teve queda de 0,3% em agosto, abaixo da nossa projeção e da expectativa do mercado, que eram alta de 0,1% e 0,3%, respectivamente. A produção de bens intermediários foi a grande responsável pelo fraco desempenho da indústria, com contração de 2,1% (ante crescimento de 1% em julho). Destaque para a forte queda de 5,8% na produção de derivados de petróleo, impactada pelo incêndio na refinaria de Paulínia, resultado que deve se reverter em breve. A produção de bens não duráveis também contraiu na margem, registrando queda de 0,6%. Esse desempenho deve-se, principalmente, à queda de 10,8% na produção de alimentos em comparação com o mês anterior. O destaque positivo foi no setor de bens de capital, que cresceu 5,3%, compensando a contração de 5,4% registrada em julho. A recuperação da produção de automóveis e produtos eletrônicos, que cresceram 2,4% e 5,1%, respectivamente, levou a produção de bens duráveis a uma alta de 1,2% com relação ao mês anterior. O fraco resultado da produção industrial carrega um viés negativo na projeção do crescimento do PIB no terceiro trimestre, que está atualmente em 0,4% ante o trimestre anterior.

A balança comercial apresentou superávit de US$ 5,0 bilhões em setembro, abaixo da expectativa do mercado (US$ 5,8 bilhões). As exportações somaram US$ 19,1 bilhões, enquanto as importações totalizam US$ 14,2 bilhões. No ano, o saldo comercial é positivo em US$ 42,6 bilhões, abaixo da soma obtida no mesmo período do ano passado (US$ 53,3 bilhões). Já o acumulado em 12 meses atingiu US$ 56,4 bilhões em setembro. A média das exportações nos últimos três meses expandiu 13,1% em relação ao ano passado, com destaque para o crescimento de 28,5% das exportações de bens básicos. Na mesma comparação, as importações tiveram aumento de 31,0%, com a elevação de 126% nas importações de bens de capital, explicado pelo expressivo aumento na conta de plataforma para extração de petróleo. Vale ressaltar que, em julho, o governo concedeu benefício tributário para empresas que nacionalizassem bens em subsidiárias no exterior. Considerando essa dinâmica, mantemos um viés de baixa para a nossa projeção de superávit de US$ 59,1 bilhões em 2018, após o saldo comercial recorde de US$ 67 bilhões em 2017.]

No cenário internacional, houve o anúncio do novo acordo comercial entre Canadá, EUA e México. Esse acordo, que substituirá o Nafta, foi batizado USMCA (na sigla em inglês). Segundo o presidente Donald Trump, ele é positivo para a região e resolve as deficiências do Nafta. O acordo deve ser assinado no fim de novembro e precisa ser aprovado pelo poder legislativo dos três países. Além disso, a confiança da indústria global, medida pelo PMI, recuou de 54,3 pontos em agosto para 53,6 pontos em setembro, mas ainda indicando expansão (acima de 50 pontos). Nos EUA houve uma leve redução para 59,8 em setembro, contra 61,3 em agosto, permanecendo em nível elevado. Para os emergentes, o índice cedeu de 51,1 para 50,7 pontos no mesmo período. O PMI da China recuou de 51,3 para 50,8, no Brasil diminuiu para 50,9 em setembro (51,1 em agosto), enquanto Turquia e a África do Sul permaneceram em níveis contracionistas (abaixo de 50,0). O PMI global ainda sugere a manutenção de um crescimento forte da economia mundial nesse ano, em torno de 3,5%, sustentado pelo crescimento dos EUA, enquanto Zona do Euro e emergentes perdem força.

Nos EUA, apesar da criação de vagas menor do que esperado em setembro, o desemprego continua caindo.  O relatório de emprego de setembro mostrou a criação de 134 mil vagas enquanto o mercado esperava abertura de 185 mil novos. No relatório, cerca de 300 mil pessoas responderam que não puderam trabalhar devido ao mau tempo, resultado impactado pelo furação Florence. A média de cinco anos para o mês de setembro é de 25 mil pessoas. Além disso, as revisões dos dados de meses anteriores (junho e agosto) somam 87 mil vagas adicionais. Com essas revisões, a média móvel de três meses continua elevada, próxima de 190 mil. Além disso, os salários permanecem crescendo, 2,8% em termos anuais em setembro.  Já a taxa de desemprego atingiu 3,7% em setembro, ante 3,9% em agosto, atingindo o menor valor desde 1969. Em suma, dados do mercado de trabalho reforçam a tese de dinamismo da economia, que deve ter um crescimento do PIB de cerca de 3,0% em 2018.

Na próxima semana, no Brasil haverá a divulgação das vendas no varejo de setembro na quinta-feira. No cenário internacional, destaque para a inflação nos EUA.

 

 
 

 


voltar