10/09/2018 - 08:01 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o IPCA apresentou deflação em agosto. No cenário global, os indicadores de confiança sinalizam que a atividade segue em expansão.

No Brasil, o IPCA de agosto apresentou variação levemente abaixo do esperado. No mês, o IPCA recuou 0,09%, surpreendendo a nossa expectativa (-0,01%) e a do mercado (0%). Em julho, o IPCA havia apresentado alta de 0,33%. Em 12 meses, o IPCA manteve a trajetória de queda, cedendo entre julho e agosto de 4,5% para 4,2%. Entre os grupos, destaque para a desaceleração na margem do grupo alimentação e bebidas, que entre julho e agosto acentuou o movimento de deflação (de -0,12% para -0,34%), assim como para o grupo transportes que desacelerou de 0,49% para -1,22%. Vale mencionar que essa desaceleração comporta o efeito da dissipação do choque altista de preços ocorrido no final do mês de maio, em decorrência da paralisação no setor de transporte de cargas. Em termos qualitativos, o dado de agosto sugere que a inflação seguirá bem comportada nas próximas leituras. Enquanto o IPCA de serviços desacelerou de 3,5% para 3,3% em termos anuais entre julho e agosto, a média dos núcleos de inflação se manteve em 3%. Com relação aos itens sensíveis ao repasse da desvalorização cambial, notamos uma aceleração comedida até o momento. Diante desse cenário, mantemos uma perspectiva benigna para o comportamento dos preços nesse ano, com alta de 4,1% do IPCA.   

Em julho, a produção industrial (PIM) surpreendeu com desempenho melhor que o esperado. No mês, a PIM contraiu 0,2% na margem, superando a nossa expectativa e a do mercado, ambas em -1,4%. Em termos anuais, a expansão da indústria entre junho e julho acelerou de 3,4% para 4,0%. Em relação ao que projetávamos, a surpresa concentrou-se na produção de bens intermediários que cresceu 1% na margem, resultado do forte crescimento da produção de petróleo, produtos químicos e materiais plásticos, que apresentaram expansão de 1%, 4,3% e 0,9%, respectivamente. A produção de bens duráveis, por sua vez, contraiu 0,4% na margem. Por fim, a produção de bens de capital recuou 6,2%, indicando que os investimentos ainda deverão se recuperar lentamente no terceiro trimestre, após contração de 1,8% no segundo trimestre. A produção industrial de julho coloca um viés positivo para a projeção do crescimento do PIB do terceiro trimestre que se situa em 0,4% na margem.

O saldo comercial foi superavitário em US$ 3,8 bilhões em agosto, abaixo da expectativa do mercado (US$ 4 bilhões). O resultado foi composto de US$ 22,6 bilhões em exportações e US$ 18,8 bilhões em importações. No ano, o saldo é positivo em US$ 37,8 bilhões, abaixo da soma obtida entre janeiro e agosto de 2017 (US$ 48,1 bilhões). Em 12 meses, o saldo comercial é positivo em US$ 56,7 bilhões. Na comparação em termos anuais, a média das exportações nos últimos três meses expandiu 11%, com destaque para o crescimento de 20,4% das exportações de bens básicos. No caso das importações, houve o incremento de 34,8%, contando com um aumento de 146% nas importações de bens de capital em virtude do expressivo aumento na conta de plataforma para extração de petróleo. Lembrando que em julho o governo concedeu benefício tributário para empresas que nacionalizassem bens em subsidiárias no exterior. Diante da medida, a soma das importações de plataforma de petróleo em julho e agosto é de US$ 5,3 bilhões. Nesse arcabouço, colocamos um viés de baixa para a nossa projeção de superávit de US$ 59,1 bilhões, após o saldo comercial recorde de US$ 67 bilhões em 2017.

No cenário internacional, o indicador de confiança da indústria global acelerou em agosto, com a economia norte-americana liderando os ganhos. Entre julho e agosto, o PMI da indústria global subiu de 53,6 pontos para 54,3 pontos, indicando que a atividade global segue em expansão (acima de 50 pontos). Até o momento, a média do terceiro trimestre se encontra em 53,9 pontos, mantendo a tendência de desaceleração frente ao trimestre anterior (54,1 pontos). O PMI dos países desenvolvidos voltou para o seu maior patamar desde fevereiro desse ano, alcançando o nível de 57,5 pontos. Nesse grupo, o descolamento entre EUA e Zona do Euro tem chamado a atenção. Em agosto, o ISM nos EUA atingiu a marca de 61,3 pontos, o maior patamar desde maio de 2014. Na Zona do Euro, o PMI desacelerou de 55,1 para 54,6 pontos, o menor nível desde novembro 2016. Nos emergentes, o PMI cedeu de 51 pontos em julho para 50,9 pontos em agosto, a despeito da leitura ligeiramente melhor do PMI chinês (de 51,2 para 51,3 pontos). Nesse caso, a piora do PMI na África do Sul (de 51,5 para 43,4 pontos), Turquia (de 49 para 46,4 pontos) e México (de 52,1 para 50,7 pontos) foram fundamentais para a piora no indicador agregado dos emergentes. Embora o PMI global ainda sugira a manutenção de um crescimento forte da economia nesse ano (acima de 3%), essa manutenção ocorre a partir de um cenário no qual a economia dos EUA acelera, enquanto Zona do Euro e emergentes perdem força. Essa dinâmica implica mudança no comportamento dos ativos, se traduzindo especialmente no fortalecimento do dólar frente a outras moedas.   

Na próxima semana, o calendário de eventos no Brasil contempla a divulgação das vendas no varejo de julho na quinta-feira. No cenário internacional, teremos como destaque a reunião do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, além da divulgação dos dados de atividade na China (Indústria, comércio e investimento) e inflação nos EUA.

 

 
 

 

 

 


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