30/08/2018 - 08:11 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, a alta do IPCA-15 superou a expectativa do mercado. Nos EUA, a ata do FED reforçou a perspectiva de um novo aumento de juros em setembro.

No Brasil, a prévia da inflação (IPCA-15) de agosto superou as expectativas. No mês, o IPCA-15 subiu 0,13%, acima da nossa expectativa (0,09%) e do mercado (0,10%).Em 12 meses, o indicador desacelerou de 4,53% em julho, para 4,30%. No que concerne aos desvios em relação ao que projetávamos, os principais desvios altistas ocorreram devido à maior inflação no grupo de alimentação e bebidas (0,03% ante -0,15% projetado), com destaque para a alta de 0,84% em alimentação fora do domicílio (projetávamos alta de 0,44%). A inflação de 0,55% em saúde e cuidados pessoais também contribuiu para a surpresa altista (projetávamos alta de 0,35%). Em linha com as últimas leituras do IPCA, observamos que o choque inflacionário recente em virtude da paralisação no setor de transporte de cargas tem se dissipado. No grupo de transportes, entre o IPCA-15 de julho e o IPCA-15 de agosto a variação dos preços cedeu de 0,79% para -0,87%, enquanto em alimentação e bebidas a inflação desacelerou de 0,61% para 0,03%. Em termos qualitativos, a média dos núcleos (exclui componentes voláteis) se manteve em 2,9%, enquanto o índice de difusão acelerou de 54,2% para 54,5%. Acreditamos que parte da normalização dos preços em virtude do fim da paralisação dos caminhoneiros ainda será capturada nas próximas leituras do IPCA. Quanto ao impacto da desvalorização cambial, os sinais ainda são de repasse comedido para os preços. Mantemos, portanto, um cenário benigno para a inflação nesse ano, com alta de 4%.    

Segundo o Ministério do Trabalho (MTE), a geração de vagas seguiu em ritmo fraco no mês de julho. De acordo como os dados do CAGED, a economia registrou a abertura de 47,3 mil postos de trabalho, resultado acima da expectativa do mercado (25,7 mil). Nos últimos 12 meses, a economia brasileira criou 197 mil vagas. Nesse mesmo período em 2017, o mercado de trabalho destruía 656 mil vagas. Quando excluímos os efeitos sazonais, o resultado líquido se ajusta para 14 mil vagas geradas, após a destruição de 10 mil vagas em maio e 22 mil vagas em junho. No ano, em termos dessazonalizados, temos a criação líquida de 88,5 mil vagas. Por setores, comércio e indústria registraram o encerramento de 5 mil e 2,4 mil vagas, respectivamente, em termos dessazonalizados. Como destaque positivo, o setor de serviços criou 17,8 mil vagas, acumulando em 12 meses a geração de 199 mil vagas. Sob a ótica do rendimento, o salário médio real de admissão em termos anuais desacelerou entre junho e julho de 1,3% para -0,3%, em decorrência essencialmente da queda do salário nominal, de 4,9% para 3,4%. No caso do salário médio real de demissão, houve contração de 2,9%, ante queda de 4,3% em junho.  Esse quadro de recuperação modesta do mercado de trabalho reforça o nosso cenário de crescimento de 1,2% do PIB em 2018.

Nos EUA, o Banco Central (FED) divulgou a ata de sua reunião, na qual os membros do comitê (FOMC) mantiveram a taxa de juros entre 1,75% a.a e 2% a.a. Em linha com o comunicado, o FOMC destacou que a atividade segue com ritmo robusto de crescimento e que a inflação permanece em trajetória consistente, convergindo para a meta de 2%. Nessa direção, o FED reconheceu que os riscos para o cenário seguem balanceados. Ao longo da ata, destaque para a discussão em torno dos impactos da guerra comercial.  Membros mencionaram que alguns impactos negativos já são sentidos em indicadores de confiança, afetando, em alguns casos, as decisões de investimento. Ademais, o FOMC também destacou que o impacto do aumento de tarifas repercute sobre os preços no atacado. A respeito das próximas decisões do FOMC, os membros afirmaram que esse cenário de crescimento econômico requer um novo aumento de juros em breve. Avaliamos que a mensagem expressa pela ata está de acordo com o nosso cenário de duas altas adicionais da taxa de juros nesse ano, em setembro e dezembro.

Na Zona do Euro, o indicador de confiança (PMI) de agosto sinaliza estabilização da atividade. No mês, o indicador composto alcançou o patamar de 54,4 pontos, acima do patamar de julho (54,3), mas abaixo do consenso (54,5). Em sua composição, o indicador revelou alta no componente de serviços, saindo de 54,2 para 54,4 pontos entre julho e agosto, e queda na confiança industrial, de 55 para 54,6 pontos. Os países centrais da Zona do Europa lideraram a melhora da confiança em agosto. Na Alemanha, o PMI composto subiu de 55 para 55,7 pontos, enquanto na Franca o indicador alcançou 55,1 pontos, ante 54,4 na leitura anterior. A média de 54,4 do PMI composto em julho e agosto sinaliza uma estabilização da confiança após a frustração com os números de atividade no primeiro semestre. A melhora do PMI por meio da recuperação da confiança no setor de serviços reforça a nossa visão de manutenção de condições robustas de crescimento na demanda interna. Com isso, considerando que os efeitos da tensão comercial global não implicarão em grandes distúrbios, acreditamos que a Zona do Euro deva acelerar o crescimento para 0,5% na margem no terceiro trimestre, após expansão de 0,4% no primeiro e segundo trimestre.

No Japão, a inflação baixa ratifica a percepção do Banco Central do Japão (BoJ) sobre a necessidade de manter a política monetária em campo expansionista por um período prolongado. Em julho, a inflação ao consumidor registrou alta de 0,9%, acima da leitura de junho (0,7%), mas abaixo da expectativa do mercado (1%). O núcleo da inflação (exclui alimentos e energia), por seu turno, teve alta de 0,3%, em linha com o consenso do mercado. Essa variação segue distante da projeção do BoJ de 1,1% para esse ano, assim como da meta de 2%. A despeito do aperto no mercado de trabalho e do crescimento acima do potencial ao longo do último ano, a dinâmica inflacionária segue acomodada. Diante disso, diferentemente do aperto de juros em curso nos EUA e da redução dos estímulos monetários na Zona do Euro, o BoJ continuará com sua política expansionista por um período prolongado.

Na próxima semana, o destaque da agenda local fica por conta da divulgação do PIB do segundo trimestre na sexta-feira, para o qual esperamos crescimento de 0,1% na margem. Ademais teremos a divulgação das notas do setor externo (segunda-feira), crédito (quarta-feira) e política fiscal (sexta-feira). No calendário global, conheceremos os indicadores de confiança na China para o mês de agosto, dados de inflação na Zona do Euro e uma nova revisão do PIB dos EUA no segundo trimestre.

 

 
 

 

 


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