21/08/2018 - 10:29 | Economia

ECONOMIA

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Com incerteza eleitoral, risco-país do Brasil é o 2º que mais cresce na América Latina

Entre os latino-americanos, risco-país do Brasil só subiu menos que o da Argentina; incerteza dos investidores é se próximo governo vai seguir com ajuste fiscal.

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Mundo mais difícil para emergentes

 

Em 2018, a situação econômica global tem trazido mais dificuldades para os mercados emergentes principalmente por duas razões. Primeiro, houve um aumento da tensão comercial desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu taxar a importação de aço e alumínio. A medida desencadeou uma série de represálias de diversos países, levando a uma guerra comercial com a China e colocando os investidores numa postura mais defensiva.

Segundo, as economias avançadas estão subindo os juros, num movimento que os economistas chamam de normalização monetária. Depois de manter os juros num patamar baixo por muitos anos para estimular o crescimento econômico, os principais países estão fazendo o movimento contrário em meio a um aumento da inflação.

inda sem ter se recuperado da crise, a economia brasileira sofre também os efeitos do calendário eleitoral. Diante da indefinição sobre o próximo governo - e, consequentemente sobre a política econômica a ser adotada a partir do próximo ano - vem crescendo a percepção de risco dos investidores internacionais em relação à economia brasileira. Entre as principais economias latinoamericanas, o risco do Brasil só subiu menos que o da Argentina.

O dólar em alta é o indicativo mais visível do crescimento da desconfiança dos investidores em relação ao Brasil. Na segunda-feira, a moeda dos EUA fechou no maior valor em mais de 2 anos, a R$ 3,95, enquanto investidores buscavam destinos mais seguros que o Brasil para o seu dinheiro.

Todos os países emergentes têm sofrido com a piora das condições da economia mundial. O que tem definido a intensidade da reação dos investidores são os desequilíbrios macroeconômicos de cada economia. No caso brasileiro, há uma incerteza com o futuro das contas públicas e, se o próximo governo vai seguir com o ajuste fiscal.

Desde janeiro, o risco-país do Brasil medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu cerca de 80 pontos, enquanto o da Argentina - o país enfrenta uma grave crise econômica e já recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano - avançou 315 pontos.

O CDS é uma espécie de seguro contra calote e, portanto, funciona como uma das principais medições de riscos entre as economias. Quanto mais alto é o CDS, portanto, mais arriscado o país é considerado pelos investidores.

No início do ano, o risco-país do Brasil estava no patamar de 162 pontos. No pior momento do ano, em meados de junho, o CDS chegou ao patamar de 280 pontos na esteira da resposta do governo à greve dos caminhoneiros e com o ambiente político já incerto. Nos últimos dias, o risco-país rodava o patamar de 240 pontos.A recente piora mais intensa na percepção de risco da economia brasileira fica evidente quando se analisa o desempenho dos países considerados mais ajustados da região. No Chile, por exemplo, o CDS subiu apenas três pontos este ano. No México, a alta foi de 13 pontos.


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