20/08/2018 - 11:21 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, a pesquisa mensal de serviços do IBGE mostrou que o setor recuperou-se após forte queda em maio. Nos EUA, as vendas no varejo de julho confirmaram a robustez do consumo das famílias.

No Brasil, a PMS surpreendeu positivamente e ficou acima das expectativas. O indicador mensal de serviços do IBGE cresceu 6,6% em junho em termos de volume. O resultado ficou acima da nossa projeção (3,0%) e do mercado (3,3%). Essa alta recuperou parte da queda ocorrida em maio (-5,0%), quando houve a paralisação nacional do setor de transportes de cargas. A despeito da forte recuperação no mês passado, o segundo trimestre acumulou queda de 0,3% do volume de serviços. Analisando a abertura do resultado, como era esperado, a recuperação foi concentrada no setor de transportes. Na margem, o volume do serviço de transportes cresceu 15,7% em junho, após queda de 10,6% em maio. Serviços de comunicação expandiu 2,5% na mesma base de comparação. Na ponta contrária, sinalizando dificuldade  na consistência da retomada da atividade, o volume de serviços prestados às famílias caiu 2,5% na margem. Enquanto isso, os serviços prestados às empresas mostraram ligeira alta de 0,4%, mas não recuperaram o nível após a queda do mês anterior (-1,2%). Considerando que a recuperação do setor de serviços em junho deveu-se à alta do serviços de transportes e não foi disseminada nos demais setores, avaliamos que esse resultado mantém a percepção que o ritmo de recuperação foi modesto no segundo trimestre de 2018.

 Seguindo a mesma tônica do dado anterior, o IBC-Br de junho mostrou recuperação da queda ocorrida em maio. O indicador mensal de atividade do Banco Central cresceu 3,3% na margem, confirmando as expectativas de mercado. A alta do mês passado praticamente anulou a queda ocorrida em maio (-3,3%). Na comparação anual, o IBC-Br expandiu 1,8%. Em resumo, os dados domésticos vêm confirmando a volta da atividade, após a queda provocada pela paralisação nacional do setor de transportes. A produção industrial, o setor de serviços e as vendas no varejo de junho confirmam essa devolução. Ainda assim, esse movimento não foi suficiente para garantir a recuperação mais rápida do PIB no segundo trimestre, segundo nossas estimativas. Projetamos alta, na margem, de 0,1% do PIB no período. Esse resultado reforça a percepção de que a dinâmica da economia doméstica segue bastante moderada.  

 Nos EUA, as vendas no varejo de julho reforçaram a robustez do consumo das famílias no início do terceiro trimestre. O indicador de julho mostrou crescimento de 0,5% na margem, acima das expectativas (0,1%). O grupo de controle, que exclui itens como veículos, gasolina e materiais de construção, mostrou que as vendas expandiram 0,5%, após queda de 0,1% no mês anterior, e melhor do que o esperado (0,4%).  Analisando os detalhes do resultado, os principais vetores para a surpresa positiva foram as vendas de veículos (+0,2%) e as vendas nos postos de combustíveis (+0,8%). Frente a isso, é esperado que seja mantida a força do consumo das famílias no trimestre, pois a dinâmica do mercado de trabalho segue robusta.

Por sua vez, a produção industrial americana mostrou alta na margem, mas abaixo da esperada. Em julho, a indústria cresceu 0,1%, enquanto o setor manufatureiro apresentou expansão de 0,3%. Dentre os detalhes do resultado, houve alta de 0,9% na produção de veículos automotores e partes. Fora do setor automobilístico, o crescimento foi de 0,2%. Por outro lado, o setor de mineração e de utilidade pública mostraram queda de 0,3% e 0,5%, respectivamente. Ainda que o resultado no mês não tenha sido surpreendente, a tendência dos últimos meses tem sido muito positiva. O nível de capacidade instalada alcançou 78,1% em julho, tendo iniciado o ano em 77%. Até o momento, não há evidências claras de que o impasse comercial com a China tenha afetado a produção no país. Nesse sentido, as pesquisas do setor manufatureiro, como o Empire State subiram de 22,6 pontos em julho, para 25,6 pontos em agosto.

 Na China, os dados de atividade de junho vieram mais fracos do que o esperado. A produção industrial de julho cresceu 6,0% na comparação anual, repetindo a expansão do mês anterior. Dentro da indústria, o setor de mineração mostrou alta de 1,3%, os manufaturados alta de 6,2% e os serviços de utilidade pública cresceram 9,0%. Por sua vez, investimentos em ativos fixos expandiram 5,5%, abaixo da expectativa do mercado (6.0%). O principal vetor de desaceleração foi o setor de infraestrutura, com queda de 5,4%. O setor de investimentos em manufaturas cresceu 9,8% e propriedades 13,0%, ambas na comparação anual. Em termos de consumo, as vendas no varejo de julho cresceram 8,8%, após alta de 9,0% no mês anterior. O setor automotivo recuou 2,0% na comparação anual, após queda de 7,0% em junho. Os indicadores acima mencionados mostram que o processo de moderação do crédito está mostrando seus efeitos na economia chinesa. Ainda que a velocidade da moderação tenha surpreendido, entendemos que o processo vem ocorrendo de maneira ordenada e gradual. Os riscos de uma desaceleração mais intensa ainda podem ser deflagrados por um agravamento da guerra comercial com os EUA, especialmente via confiança das famílias e das empresas.

 Na próxima semana, o destaque na agenda doméstica é a prévia da inflação, IPCA-15 de agosto. Projetamos alta de 0,06%, seguindo a trajetória de desinflação após o choque provocado pela paralisação nacional de transportes. Além disso, é aguardada a divulgação dos números do CAGED de julho. Nos EUA, será importante acompanhar a ata do Fed (Banco Central americano), ainda que não sejam esperadas grandes revelações no documento. Além disso, na sexta-feira, será divulgada a prévia dos pedidos de bens duráveis de julho.  Na Europa, são aguardadas as divulgações dos PMIs de agosto. Além disso, notícias vindas da Turquia seguirão no foco dos mercados. Por fim, no Japão, o destaque será o dado de inflação de julho na quinta-feira.

 

 
 

 

 


voltar