01/08/2018 - 08:49 | Economia

Nossa Visão - 30/07/2018

CREDITO DE MERCADO

Retrospectiva

Em relação à economia internacional, na zona do euro, o PMI composto caiu de 54,9 pontos em junho, para 54,3 pontos em julho, quando se esperava uma queda menor. Embora a taxa de crescimento do setor privado continue sendo relativamente robusta a redução de novos pedidos aconteceu.

Em sua reunião na última quinta-feira, o Banco Central Europeu decidiu manter a taxa básica de juros em 0% e a taxa de depósitos em -0,4% e reafirmou que seu programa de compra de títulos termina realmente em dezembro.

Nos EUA, a prévia do PMI composto apurou 55,9 pontos em julho, sendo que no mês anterior havia registrado 56,2 pontos. Já os pedidos de bens duráveis subiram 1% em junho, quando a estimativa era de uma alta de 3%.

Em relação à evolução do PIB do segundo trimestre, a primeira estimativa apurou uma alta anualizada de 4%, ligeiramente abaixo da previsão de 4,4%. De qualquer forma foi o ritmo de crescimento mais rápido em quase quatro anos, com os consumidores elevando seus gastos e fazendeiros acelerando os embarques de soja para a China, antes que novas tarifas comerciais entrassem em vigor, no início de julho.

Para os mercados de ações internacionais, a semana passada foi novamente de altas. Enquanto o Dax, índice da bolsa alemã subiu 2,38%, o FTSE-100, da bolsa inglesa avançou 0,29%, o índice S&P 500, da bolsa norte-americana 0,61% e o Nikkey 225, da bolsa japonesa 0,07%.

Em relação à economia brasileira, o IGP-M, depois de ter subido 1,87% em junho, desacelerou a alta para 0,51% em julho, com a redução de praticamente todos os índices que compões o indicador.

Para a bolsa brasileira, foi mais uma semana de recuperação, com o Ibovespa subindo 1,65%. Assim, o ganho acumulado no ano chegou a 4,53%. O dólar, por sua vez, caiu 1,66% e sobe 12,35% no ano. O IMA-B Total, por sua vez subiu 0,36% na semana, acumulando alta de 3,56% no ano.

Comentário Focus

No Relatório Focus recém-divulgado, a média dos economistas que militam no mercado financeiro estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subirá 4,11% em 2018, como na semana anterior. Para 2019 a estimativa é de que suba 4,10%, também como na semana anterior.

Para a taxa Selic, o relatório informou que, para o fim de 2018 a taxa Selic estará em 6,50%, como na última pesquisa e em 8% no final de 2019, também como na pesquisa anterior.

Já para o desempenho da economia previsto para este ano, o mercado estimou a evolução do PIB em 1,50%, como na semana anterior. Para 2019 a estimativa é que o PIB cresça 2,50%, também como na semana anterior.

Para a taxa de câmbio, a pesquisa mostrou que a cotação da moeda americana estará em R$ 3,70, como no último relatório e em R$ 3,70 no final de 2019, novamente como na semana anterior.

Para o Investimento Estrangeiro Direto, as expectativas são de um ingresso de US$ 67,50 bilhões em 2018, como na última pesquisa e de US$ 70 bilhões também como na pesquisa anterior.

Perspectiva

Nesta semana, na zona do euro, teremos a divulgação da inflação do consumidor em julho, da taxa de desemprego em junho e do PIB do segundo trimestre.

Nos EUA teremos a divulgação das vendas no varejo em junho, da taxa de desemprego em julho, além da reunião do FED sobre a política monetária.

No Brasil, teremos a divulgação dos resultados parciais da inflação, da produção industrial, do resultado fiscal e da taxa de desemprego em junho, além da reunião do Copom sobre política monetária.

No exterior e no Brasil, os principais eventos serão as reuniões do FED e do Copom, sendo que a manutenção das atuais taxas básicas de juros são esperadas..

Quanto às aplicações financeiras dos RPPS, diante do cenário externo volátil, com a continuada valorização do dólar que também impactará na inflação local e dada a queda na atividade econômica, que deverá ter importante impacto na arrecadação fiscal do setor público consolidado, além das incertezas com as eleições presidenciais, é grande a possibilidade de retornos negativos com os subíndices da família  IMA e IDKA, principalmente os de prazo mais longo. Assim, achamos por bem sugerir aumento de 10% para 15% na exposição em fundos de investimento em títulos públicos que possuem a gestão do duration, produto a ser acompanhado com a devida atenção.

Para os vértices médios (IMA-B 5, IDkA 2A e IRF-M Total) recomendamos uma exposição de não mais 25% e sim de 20% e para os vértices de curto prazo, representados pelos fundos DI, pelos referenciados no IRFM-1 e pelos CDBs aumentamos a alocação sugerida de 20%, para 35%. Lembramos que para evitar o desenquadramento aos limites da Resolução CMN nº 4.604/2017, o percentual máximo de alocação em fundos DI passou a ser de 40%.

Permanece a recomendação de que, com a devida cautela e respeitados os limites das políticas de investimento e as exigências da nova resolução editada pelo CMN, é oportuna a avaliação de aplicações em produtos que envolvam a exposição ao risco de crédito (FIDC e FI Crédito Privado, por exemplo).

Quanto à renda variável, continuamos a recomendar a exposição máxima de 30%, por conta da melhora da atividade econômica neste ano, que já se refle em um melhor comportamento dos lucros das empresas e, portanto, da Bolsa de Valores e também pelo fato da importância do produto como fator de diversificação de portfolio, em um momento em que as taxas de juros dos títulos públicos não mais supre a meta atuarial. Assim, já incluídas as alocações em fundos multimercado (10%) que com a nova resolução ficaram maiores, continua a mesma em fundos de participações - FIP (5%) e em fundos imobiliários FII (5%), sendo que a alocação em ações, com o novo perfil dos fundos multimercado passou a ser de 10%.

Por fim, cabe lembrarmos que as aplicações em renda fixa, por ensejarem o rendimento do capital investido, devem contemplar o curto, o médio e o longo prazo, conforme as possibilidades ou necessidades dos investidores. Já as realizadas em renda variável, que ensejam o ganho de capital, as expectativas de retorno devem ser direcionadas efetivamente para o longo prazo.


voltar