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19/07/2018 - 15:32 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, os indicadores de atividade revelaram o impacto da paralisação no setor de transporte de cargas ocorrida em maio. No cenário global, houve o aumento da tensão comercial entre EUA e China.

No Brasil, a paralisação no setor de transporte de cargas afetou o desempenho da economia em maio. Segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) realizada pelo IBGE, as vendas no varejo recuaram 0,6% na margem, resultado pior do que a nossa projeção (-0,3%) e melhor que a do mercado (-0,8%).  Na composição do indicador, as vendas de tecidos, vestuário e calçados recuaram 3,2%, enquanto as vendas de móveis e eletrodomésticos cederam 2,7%. Diretamente afetada pela paralisação, as vendas de combustíveis e lubrificantes contraíram 6,1%. O único segmento que registrou crescimento no período foi o de vendas nos supermercados, com alta de 0,6%. Ao contrário do efeito negativo da paralisação sobre as vendas nos demais segmentos, as vendas nos supermercados podem ter se beneficiado da precaução dos consumidores em busca de bens de necessidade básica.  Ao incluirmos o desempenho das vendas de automóveis e material de construção, que recuaram 14,6% e 4,3%, respectivamente, o indicador de vendas no varejo ampliado apresentou queda de 4,9%, em linha com a nossa expectativa. Apesar do fraco desempenho em maio, as vendas no varejo acumulam alta no ano de 3,2% no conceito restrito e de 6,2% no conceito ampliado. A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), também realizada pelo IBGE, indicou recuo de 3,8% na margem da receita real de serviços em maio. Por setores, todos os grandes grupos tiveram recuo, com destaque para a queda de 7,8% nos serviços de transporte. Até o momento, o indicador de serviços no segundo trimestre registra queda de 1% em relação ao trimestre anterior. No ano, o recuo acumulado é de 1,3%, ante queda de 2,8% em 2017. Em linha com os dados divulgados, após alta de 0,4% do PIB no primeiro trimestre, acreditamos que o PIB arrefeça para um patamar próximo de 0% no trimestre corrente. Para o ano, prevemos expansão de 1,6%. 

 No cenário global, a Casa Branca anunciou a intenção de aplicar novas tarifas sobre produtos importados da China, aumentando a tensão comercial entre os dois países. As autoridades norte-americanas anunciaram tarifas adicionais de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos importados da China. Entre os produtos que receberão a nova alíquota de importação, destaque para os produtos agrícolas (soja, milho, algodão, etc.), petróleo e minério. Inicialmente, o aumento de tarifas atingiria cerca de US$ 50 bilhões em importações de produtos chineses, abrangendo essencialmente a importação de produtos do setor de tecnologia. A nova proposta de tarifação ainda necessita ser aprovada em consulta pública até o encerramento do mês de agosto. As autoridades chinesas, por sua vez, julgaram como inaceitáveis essas medidas e afirmaram que serão forçados a agir para proteger os interesses do país. Entretanto, nenhuma medida oficial foi anunciada até o momento. Pode-se dizer que a tensão comercial tem alcançado níveis preliminarmente não considerados. Ainda assim, a expectativa é a de que essa nova rodada de tarifas não seja efetivamente implementada. Caso haja prosseguimento, podemos trabalhar com um aumento da inflação nos EUA e potencial perda de força da atividade global, em especial da economia chinesa.

A respeito dos dados econômicos, nos EUA a inflação ao consumidor (CPI) e a inflação ao produtor (PPI) aceleraram em junho. Em termos anuais, o CPI apresentou variação de 2,9% em junho, em linha com a expectativa do mercado e acima da variação de 2,8% em maio. Ao excluirmos alimentação e energia, o indicador núcleo da inflação também acelerou de 2,2% para 2,3%. No caso do PPI, a alta na margem foi de 0,3%, acima da expectativa do mercado (0,2%). Em termos anuais, o indicador acelerou de 3,1% em maio para 3,4% em junho. Quando excluímos alimentação e energia, também observarmos uma aceleração de 2,4% para 2,8%. O quadro inflacionário mostra a continuidade da convergência da inflação para a meta, compatível com o nosso cenário de duas altas adicionais da taxa de juros pelo FED nesse ano. A imposição de tarifas às importações provenientes da China, assim como a perspectiva de adoção de uma política fiscal expansionista, inserem viés de alta para os números de inflação.

Na China, as últimas leituras de inflação vieram mais pressionadas. Entre maio e junho, a inflação ao consumidor (CPI) acelerou de 1,8% para 1,9%, em linha com o consenso do mercado. Entre os componentes, a inflação de alimentos acelerou de 0,1% para 0,3% em termos anuais, em virtude da menor deflação dos suínos. No grupo que exclui o componente alimentação, a inflação ficou estável em 2,2%, com destaque para a aceleração da inflação de combustíveis (de 13,3% para 17,8%). O núcleo do CPI (exclui alimentação e energia) permaneceu em 1,9%. Já a inflação ao produtor (PPI) acelerou de modo mais intenso, saindo de 4,1% em maio para 4,7% em junho, superando a expectativa do mercado (4,5%). A aceleração nos preços do petróleo tem pressionado as últimas leituras do PPI. O quadro de inflação na China segue bem comportado, abaixo da meta de 3%, possibilitando a adoção de estímulo monetário pelas autoridades chinesas. Nesse sentido, avaliamos que o recente aumento de tarifas sobre US$ 50 bilhões de bens importados dos EUA terá um impacto inflacionário modesto. Já os dados de setor externo em junho mostraram um crescimento de 11,3% das exportações, com aumento de 12,6% das exportações para os EUA. As importações, por sua vez, expandiram 14,1%, com redução na demanda por petróleo e minério de ferro. Os números produziram um saldo comercial de US$ 41,6 bilhões no mês, totalizando US$ 381 bilhões em 12 meses. Em virtude da modificação das tarifas de comércio entre EUA e China que entraram em vigor no início do mês de julho, os dados de setor externo de junho podem ter sofrido alguma distorção (antecipação ou postergação de transações).

Na Zona do Euro, após a frustração dos últimos meses, a produção industrial surpreendeu positivamente em maio. No mês, o aumento na margem foi de 1,3%, acima da expectativa do mercado e da contração de 0,9% em abril. A expansão ocorreu de modo difuso, com alta de 2,5% na Alemanha, 1,0% na Espanha e 0,7% na Itália. A indústria francesa foi exceção e apresentou queda de 0,2%. Na distribuição por grupo, destaque para o aumento de 1,6% da produção de bens intermediários. Em termos anuais, a expansão da indústria foi de 2,4%, acelerando em relação ao mês de abril (1,7%). Em 2017, a indústria na Zona do Euro expandiu 3,4%, crescimento robusto ante a expansão de 1,9% em 2016. A ocorrência de greves, instabilidade política e escalada da tensão comercial prejudicaram o desempenho da indústria nesses cinco primeiros meses do ano. Ainda assim, a indústria apresenta alta de 3,2% em 2018. Para o restante do ano, os indicadores de confiança sinalizam arrefecimento da indústria. Aproximadamente 10% das exportações da Zona do Euro tem a China como destino, sendo um dos principais parceiros da região. Possíveis distúrbios na atividade chinesa oriundos da tensão comercial com os EUA podem impactar indiretamente a atividade na Zona do Euro.  

Na próxima semana, o destaque da agenda local fica por conta da divulgação do IPCA-15 na sexta-feira, para o qual esperamos alta de 0,72%. Ainda no Brasil, o indicador mensal de atividade (IBC-Br) será conhecido na segunda-feira (projetamos queda marginal de 2,9%). No calendário internacional, destaque para a divulgação do PIB chinês do segundo trimestre, e para os indicadores de vendas no varejo e produção industrial nos EUA.

 

 
 

 

 


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