09/07/2018 - 09:48 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o IPCA de junho surpreendeu favoravelmente e ficou abaixo das expectativas. Nos EUA, a ata do Fed reiterou o cenário de alta gradual da taxa de juros.

No Brasil, o IPCA de junho registrou alta de 1,26%, após alta de 0,40% em maio. O resultado ficou abaixo da nossa projeção (1,32%) e do mercado (1,28%). O acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,39%, frente 2,86% nos 12 meses imediatamente anteriores. A aceleração da inflação decorreu dos efeitos da paralisação nacional dos transportes, que prejudicou a cadeia de suprimento em todo o país. Entre as maiores altas encontram-se os grupos de Habitação (+2,48%), Alimentação e bebidas (+2,03%) e Transportes (+1,58%). O único grupo a apresentar deflação foi Vestuários, com queda de 0,16%, em linha com o comportamento sazonal. Por outro lado, a inflação de Serviços e a média dos núcleos de inflação ainda mostram um comportamento benigno, com alta de 0,26% e 0,44%, respectivamente. Em 12 meses, o núcleo manteve o comportamento favorável, e acumulou alta de 2,74%. Acreditamos que o processo de moderação da inflação persistirá nos próximos meses em decorrência da dissipação dos efeitos da greve do setor de transportes. Nossa projeção para o IPCA de julho está em 0,35% considerando os dados coletados até o momento.  

A produção industrial teve desempenho melhor do que o esperado em maio. O indicador caiu 10,9% na margem, melhor do que a nossa projeção (-13,9%) e da mediana das expectativas do mercado (-13,2%). Na comparação anual, a indústria caiu 6,6%, e também foi mais favorável frente nossa projeção (-9,6%). Entre os setores, a menor contração da indústria deveu-se à menor queda da produção de bens intermediários (-5,2%). Dentro do setor, a produção de petróleo e álcool subiu 6,3% no mês, enquanto o setor de metalurgia caiu 4,2% na mesma base de comparação. A produção de bens duráveis teve forte contração de 27,4% na comparação mensal contra abril. Os principais impactos desse setor foram as quedas da produção de veículos (-29,8%), produtos eletrônicos (-12,9%) e móveis (-12,7%). A produção de bens de capital recuou 18,3% na margem, com queda na produção de caminhões (-13,8%), máquinas e equipamentos (-5,3%) e máquinas e equipamentos elétricos (-6,7%). O resultado da produção industrial colocou um viés favorável para o PIB do segundo trimestre, para o qual projetamos contração de 0,1% na margem.

Nos EUA, a ata do Fed (Banco Central americano) reforçou a trajetória gradual de alta da taxa de juros. No documento, os membros do comitê afirmam que o mercado de trabalho segue se fortalecendo e que a atividade econômica tem crescido a taxas sólidas, em linha com o esperado. Em termos de inflação, a autoridade monetária também reforçou a gradual convergência à meta de inflação (2,0%). Por outro lado, a maioria dos participantes notaram que as incertezas e os riscos associados à disputa comercial haviam se intensificado e, por isso, existe preocupação com os possíveis efeitos negativos sobre os sentimentos dos empresários e os investimentos planejados. Somado a isso, houve menção ao potencial risco sobre o crescimento do país e a inflação como reflexo do cenário global, especialmente vindos da Europa e dos países emergentes. Ainda assim, a percepção geral é que a economia americana continua se comportando conforme esperado. Portanto, os ajustes nas taxas de juros são compatíveis com uma expansão sustentável da atividade, contribuindo para a manutenção das condições favoráveis de mercado de trabalho e para aceleração da inflação. 

O relatório de emprego dos EUA mostrou mais um resultado robusto, com criação de 213 mil vagas em junho. Além disso, a soma das revisões dos resultados anteriores foi de 37 mil vagas. Entre os destaques, está o setor manufatureiro e o de educação e saúde, com criação de 36 mil e 54 mil vagas, respectivamente. Por sua vez, a pesquisa por residência mostrou alta da taxa de desemprego, de 3,8% para 4,0%. A reversão da queda dos últimos meses decorreu do aumento da taxa de participação de 62,7% para 62,9%. O ganho salarial por hora ficou estável em 2,7% na comparação anual em termos nominais. Em resumo, os dados do mercado de trabalho reforçam a visão favorável da economia americana, corroborando com nosso cenário de duas altas adicionais de juros pelo Fed neste ano.        

Na Europa, a produção industrial da Alemanha subiu 2,6% em maio. O resultado trouxe sinais de recuperação do setor, após um primeiro trimestre mais fraco (+0,3%), provavelmente explicado pelas questões climáticas da região. Analisando a abertura do indicador, a produção de manufaturados cresceu 2,7% e construção 3,1% no mês. Na mesma direção, os pedidos da indústria do país também mostraram um resultado benigno, com alta de 2,6% na mesma base de comparação. Diante disso, os dados do setor industrial vem se contrapondo aos indicadores mais fracos de confiança (IFO e Zew) divulgados em junho. Nesse sentido, ainda não está claro se as questões comerciais entre os EUA e China já estariam afetando, de alguma maneira, o setor produtivo na Alemanha.   

Na China, o Caixin PMI da indústria moderou em junho. O indicador desacelerou de 51,1 pontos para 51,0 pontos no mês. O resultado vai na mesma direção que o PMI oficial, que recuou de 51,9 pontos em maio para 51,5 pontos em junho. Ainda assim, o dado é compatível com um crescimento em torno de 6,5% neste ano. Além disso, os EUA anunciaram a imposição de tarifa de 25% sobre as importações de produtos chineses no valor de US$ 34 bilhões a partir de 6 de julho. Adicionalmente, os EUA confirmaram que devem anunciar a segunda etapa de alta das tarifas sobre os restantes US$ 16 bilhões em produtos importados da China até meados de agosto. A China, por sua vez, anunciou, no mesmo dia, que também entraram em vigor tarifas de 25% sobre US$ 50 bilhões em produtos importados dos EUA. Entre os produtos que serão taxados estão as exportações americanas de automóveis, cigarros, aves e carnes processadas. Dessa maneira, a tensão na questão comercial vem escalando nas últimas semanas e deverá seguir presente como risco para o cenário global.

Na próxima semana, o destaque da agenda doméstica fica por conta do resultado das vendas no varejo de maio. O indicador deve mostrar queda de 0,3% em maio, refletindo a paralisação do setor de transportes. Além disso, o indicador de serviços do IBGE de maio também será conhecido. Nos EUA, a inflação ao consumidor de junho é o destaque, e a expectativa é que o núcleo do CPI deve seguir pressionado e atinja 2,3% em termos anuais em junho. Os dados de confiança do consumidor também serão divulgados durante a semana. Na China, serão divulgados os dados de inflação ao consumidor e no atacado e do setor externo de junho.

 

 


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