26/06/2018 - 11:03 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o Banco Central decidiu manter os juros estáveis, em linha com o esperado. Nos EUA, os dados do setor imobiliário vieram abaixo das expectativas.

Em decisão unânime, o Banco Central votou pela manutenção da taxa Selic em 6,5% a.a. A decisão veio em linha com nossa expectativa e do mercado. No comunicado emitido após a reunião, a autoridade monetária citou que a deterioração do cenário externo, provocado, em boa parte, pela normalização dos juros nos países desenvolvidos, teve impacto significativo sobre os países emergentes. Esse cenário mais desafiador tem provocado a depreciação da taxa de câmbio. Diante disso, o Banco Central aumentou as operações de swaps cambial para suavizar a depreciação da taxa de câmbio. O estoque desse tipo de operação atingiu o montante de US$ 67,4 bilhões até 22 de junho desse ano. No cenário doméstico, no curto prazo, a inflação deverá refletir os efeitos altistas e temporários da paralisação no setor de transportes e da depreciação recente da taxa de câmbio. A despeito dessa maior pressão altista, os núcleos de inflação ainda seguem em níveis baixos. Com relação à atividade econômica, a paralisação do setor de transporte sugere um ritmo de recuperação ainda mais gradual da economia. Dessa maneira, a decisão de manter as taxas de juros inalteradas, reflete o balanço de riscos para a inflação prospectiva, compatível com a convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para política monetária. As sinalizações do comunicado reforçam que o cenário base continua sendo de juros estáveis pelas próximas reuniões. Dessa maneira, mantemos nossa expectativa de juros em 6,5% a.a. até o final do ano.

 

O IPCA-15 de junho veio acima da nossa projeção e do mercado. A prévia do indicador mensal de inflação mostrou alta de 1,11%, acelerando acima da nossa expectativa de 0,97% e do mercado (1,0%). Acreditamos que a maior parte desse movimento é reflexo da paralisação nacional ocorrida na virada do mês, assim como do aumento da conta de luz (mudança para bandeira vermelha). Em doze meses, o IPCA-15 ficou em 3,68%, ainda abaixo da meta do Banco Central. Entre os principais grupos que sofreram alta, os que mais contribuíram foram Alimentação, Habitação e Transportes. Apesar disso, os núcleos ainda se mantêm bem comportados. A média dos núcleos está em 3,12% em doze meses, acelerando de 2,94% em maio. No entanto, vale ressaltar que a depreciação do real deverá  impactar os preços ao consumidor nos próximos trimestres. O tamanho desse repasse para a inflação dependerá da diferença entre o efeito da depreciação da taxa de câmbio em relação ao impacto desinflacionário proveniente da elevada ociosidade da economia. Com o resultado do IPCA-15, a nossa projeção para o fechamento de junho foi revisada de 1,10% para 1,32%. 

Nos EUA, os dados do setor de imóveis trouxeram um tom misto para a economia americana. Por um lado, os dados de construção de imóveis surpreenderam positivamente, com alta de 5,0% em maio. Por outro lado, as permissões de novas construções caíram 4,6% no mesmo mês, indicado alguma moderação do setor. Nesse mesmo sentido, as vendas de imóveis usados recuaram 0,4% na margem em maio, após cair 2,7% no mês anterior. Essa moderação do setor pode ser explicada, em certa medida, pelo aumento das taxas de juros de mercado que refletem o aperto monetário pelo banco central americano. A despeito disso, acreditamos que a dinâmica benigna da renda e do emprego deverá continuar sendo favorável para o setor imobiliário.

 

Na Europa, o Banco Central da Inglaterra (BOE) manteve taxa de juros estáveis, mas sinalizou uma provável elevação da taxa de juros nas próximas reuniões. A principal surpresa da reunião foi mais um  membro do comitê votando a favor da elevação dos juros, resultando no placar de 6-3 a favor de manter os juros estáveis em 0,50% a.a. No comunicado emitido após a reunião, os membros do comitê interpretaram os últimos dados de atividade como mistos, depois da inesperada fraqueza dos indicadores ao longo do primeiro trimestre. Apesar disso, a autoridade monetária espera que no segundo trimestre ocorra uma retomada da atividade. Assim, os próximos dados, como o índice de serviços de abril e o PIB mensal de maio serão relevantes para corroborar com esse cenário de retomada do crescimento no país. Por outro lado, o risco do Brexit continuará a ser um fator chave para avaliação pelo banco central do cenário prospectivo de atividade, pois o evento poderá resultar em uma piora relevante da confiança. Assim, o Brexit pode fazer o banco central ser mais cauteloso com relação a sua estratégia de saída.  Outro ponto importante é que o BOE afirmou que reduzirá seu estoque de papéis somente quando os juros se aproximarem de 1,5% a.a. Por fim, a estimativa de nível de juros neutros mais elevados pelo BOE, adiciona mais peso à discussão sobre a normalização da política monetária nos blocos dos países desenvolvidos. Dessa maneira, os países emergentes com mais fragilidade externa devem continuar sofrendo diante desse novo patamar de juros global e, com isso, os desequilíbrios de suas economias (externo ou interno) deveriam ser endereçados para evitar deterioração adicional da taxa de câmbio.  

 

No Japão, a inflação ao consumidor ficou dentro das expectativas do mercado. O indicador de maio mostrou alta de 0,7% contra o mesmo período do ano passado, acelerando em relação ao 0,6% do mês anterior. Por sua vez, o núcleo (exclui alimentos e energia) repetiu a alta de 0,7% do mês passado, na mesma base de comparação. A principal contribuição do indicador excluindo itens de energia foi tratamento médico, devido à nova legislação que elevou a coparticipação dos usuários. Além disso, alimentação fora do domicílio também tem sido fonte de pressão do indicador. Na direção contrária, taxas referentes à telefonia móvel têm apresentado a maior contribuição negativa.  Após números mais pressionados de inflação vistos na virada do ano, o objetivo do Banco Central do Japão (BOJ) é colocado em dúvida, pois segue distante da meta de 2,0%. Somado a isso, há indícios de moderação da atividade nos indicadores mais recentes. Dessa maneira, continuamos acreditando que a autoridade monetária do país asiático deve continuar postergando a normalização dos juros até final do próximo ano.  

Na próxima semana, os destaques da agenda local serão a Ata do Copom e o Relatório Trimestral de inflação do segundo trimestre. Este último deve trazer as simulações do cenário da inflação para os próximos trimestres. Esperamos que a mensagem deverá ser similar ao expresso no comunicado desta semana. Além disso, serão divulgados os dados de contas externas, que devem continuar apontando para um déficit externo equilibrado. Por fim, os resultados do setor público de maio também serão conhecidos. Nossa projeção para o resultado primário do governo central é um déficit de R$ 9,0 bilhões. Na agenda internacional, destaque para os números de pedidos de bens duráveis de maio dos EUA, principal componente de investimento do país. Além disso, o PCE (deflator do consumo) de maio também será divulgado durante a semana, e a expectativa do mercado é que o núcleo do PCE registre alta de 1,9% em termos anuais. Na Europa, destaque para o PIB do primeiro trimestre do Reino Unido e para os indicadores de confiança da economia do bloco europeu. Finalmente, os PMIs da China (indicadores de confiança) de junho serão divulgados na sexta-feira.

 

 
 

 

 


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