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04/06/2018 - 10:39 | Economia

RESENHA SEMANAL FINANCEIRA E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o PIB do primeiro trimestre confirmou expectativa de recuperação moderada da economia.  Já nos EUA, o relatório de emprego de maio mostrou forte criação de vagas.

O IBGE mostrou que o PIB doméstico cresceu 0,4% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período anterior. O resultado veio acima da nossa projeção (+0,2%) e do mercado (+0,3%). Analisando a abertura do dado pela ótica da oferta, houve crescimento disseminado em todos setores, sendo destaque a expansão marginal de 1,4% da agropecuária. Já o setor industrial perdeu ímpeto com alta de 0,1%, depois de ter crescido 0,7% no último trimestre do ano passado. Serviços tem mantido o ritmo moderado e cresceram 0,1%, repetindo a magnitude do período anterior. Pela ótica da demanda, consumo acelerou o crescimento para 0,5%, contra o quarto trimestre de 2017. Por sua vez, os investimentos apresentaram perda de fôlego, com alta de 0,6% na mesma base de comparação, após crescimento de 2,1% do período anterior. Além disso, exportações cresceram 1,3%, mas importações seguem num ritmo mais intenso com alta de 2,5% na margem. Assim, os dados do primeiro trimestre continuavam indicando uma trajetória de recuperação bem gradual da economia doméstica. No entanto, a paralisação ocorrida nos últimos dias, em todo território nacional, deverá ter um efeito importante sobre a atividade no mês de maio e junho, o que deve dificultar a leitura sobre a trajetória de retomada anteriormente mencionada. Ainda assim, anteriormente à paralisação, os indicadores mais recentes de maior frequência já passavam uma leitura menos dinâmica da economia doméstica. Assim, combinando ambos efeitos, nossa projeção para o PIB de 2018 foi revisado de 2,4% para 1,8%.

A pesquisa da PNAD mostrou que a queda da taxa de desemprego não ocorreu pelos bons motivos. Após um resultado fraco no mês de março, a taxa de desemprego de abril recuou para 12,9%, melhor do que o esperado. O resultado com ajuste sazonal ficou em 12,4%, ainda seguindo a tendência de redução dos últimos trimestres. A despeito desse resultado positivo, não houve crescimento da criação de emprego, na realidade, houve queda da força de trabalho. A nota positiva do resultado foi a alta dos salários em termos reais, com expansão de 0,8% em abril, na margem. Em resumo, a melhora do mercado de trabalho continua sendo bastante gradual, em linha com a recuperação moderada da economia doméstica.

Por sua vez, a nota de crédito de abril mostrou uma recuperação marginal das condições do setor.  O saldo de crédito total cresceu 0,6% contra o mesmo período do ano passado. Sendo que a participação do setor privado tem sido chave para essa recuperação, pois os bancos públicos continuam contribuindo negativamente, explicado pelo movimento do BNDES. Por um lado, temos a contínua recuperação do crédito para pessoa física, expansão de 6,4% contra o mesmo período do ano passado, e arrefecimento da queda para pessoa jurídica (-5,5% na mesma base de comparação). As condições para a tomada de crédito também tem melhorado, com as taxas recuando para ambas categorias. Inadimplência tem apresentando um pouco mais de resiliência no processo de melhora. O indicador ficou estável para pessoa física (3,6% do total de crédito), enquanto pessoa jurídica subiu de 2,8% para 3,0% em abril.

Nos EUA, os indicadores de emprego continuam corroborando a solidez do mercado americano. O relatório de maio mostrou criação de 223 mil vagas, enquanto as expectativas dos analistas aguardavam a abertura de 190 mil novos postos de emprego. As revisões dos dados de meses anteriores (abril e março) somam 15 mil vagas adicionais. Analisando a abertura do relatório, o setor de serviços continuou entre os os destaques com abertura de 171 mil vagas, enquanto indústria criou 47 mil postos em maio. Por sua vez, na pesquisa nos domicílios, a taxa de desemprego mostrou queda de 3,93% em abril para 3,75% em maio. Esse movimento foi puxado pela queda da taxa de participação, que recuou de 62,8% para 62,7%. Ainda assim, os salários subiram 2,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Na Zona do Euro, os dados de inflação na comparação anual em maio vieram acima do esperado. O índice de preços ao consumidor europeu acelerou para 1,9%, vindo de 1,2% no mês anterior. O resultado foi puxado pela alta dos preços do grupo de energia, que inclui combustíveis, afetado pela alta do preço internacional do petróleo. Por sua vez, o núcleo, que exclui o grupo de energia e alimentos, entre outros, subiu 1,1% na comparação anual. A despeito desse dado mais pressionado, outros indicadores de atividade do bloco seguem dando sinais de moderação, o que deve postergar o processo de retirada de estímulo para o final deste ano pelo Banco Central europeu.

Na China, o PMI industrial referente a maio mostrou recuperação frente ao mês anterior. O resultado ficou em 51,9 pontos, acima do esperado pelo mercado, que esperava estabilidade do nível em 51,4 pontos visto em abril. Pela abertura, o componente de novos pedidos subiu de 52,9 para 53,8 pontos. Assim como produção, foi de 53,1 para 54,1 pontos. Em termos de demanda externa, após um primeiro trimestre mais fraco, segue a tendência de recuperação. Assim, o componente de pedidos para exportações subiu de 50,7 para 51,2 pontos em maio. Por sua vez, o PMI de serviços veio um pouco abaixo das expectativas, e ficou em 54,8 pontos, repetindo o nível do mês anterior. Novos negócios ficou em 51,0 pontos, levemente abaixo do resultado de abril (51,1). Os resultados indicam uma dinâmica ainda benigna para a economia chinesa, sem maiores sobressaltos.

Na próxima semana, a agenda doméstica terá como destaque a divulgação do IPCA de maio. Além disso, será conhecido o resultado da produção industrial de abril. Nos EUA, pedidos de bens duráveis de abril, importante componente para projeção do PIB americano, será divulgado na segunda-feira. Na Zona do Euro está na pauta a divulgação do PIB do primeiro trimestre. E finalmente, na China, os dados de balança comercial de maio serão o destaque da semana no país asiático.

 

 
 

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