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21/05/2018 - 12:22 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o Banco Central manteve a taxa de juros. No cenário global, os dados de comércio sugerem retomada da atividade no segundo trimestre.

No Brasil, o Banco Central manteve a taxa de juros de forma unânime, surpreendendo o mercado. A decisão de manter a taxa  Selic  em 6,5% a.a. e interromper o ciclo de afrouxamento monetário iniciado em outubro de 2016 surpreendeu a nossa expectativa e a do mercado que era de um corte adicional de 25p.b. Em seu comunicado, o Banco Central enfatizou que a principal mudança no balanço de riscos foi a intensificação do risco de reversão do cenário externo, em grande parte associado à normalização das taxas de juros das economias avançadas, o que reduziu o apetite ao risco em relação às economias emergentes. Diante desse quadro, houve alteração da dinâmica da taxa de câmbio implicando na mudança das projeções de inflação para o horizonte relevante das metas. No que concerne à atividade, a leitura de que a recuperação é consistente foi mantida, apesar de qualificar que esse processo será gradual. A respeito da dinâmica inflacionária, o comitê segue com avaliação favorável, afirmando que as medidas subjacentes de inflação se encontram em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. Em suas simulações, o IPCA 2018 e 2019 no cenário Focus apontam altas de 3,6% e 3,9%, respectivamente. No cenário de juros constantes em 6,5% a.a. e taxa de câmbio em R$/US$ 3,60, as projeções de inflação situam-se em torno de 4,0% em 2018 e 2019. Diante desse quadro, o Banco Central julgou que houve uma mudança no balanço de riscos para a inflação prospectiva, tornando adequado a manutenção da Selic em 6,5% a.a., inclusive nas próximas reuniões. Dada a sinalização, avaliamos que a Selic será mantida em 6,5% a.a. até o final desse ano.

Em termos de dados econômicos, a atividade econômica teve desempenho abaixo do esperado em março. De acordo com o Banco Central, o Índice Mensal de Atividade (IBC-BR) recuou 0,7% na margem, desempenho em linha com a nossa projeção, mas pior do que o mercado (-0,25%). Em relação ao mesmo período de 2017, a queda foi de 0,7%, desacelerando em relação ao patamar de fevereiro (0,5%). Embora as vendas no varejo tenham obtido um crescimento satisfatório no mês, com expansão de 0,3% na margem, o resultado mais fraco do IBC-BR refletiu a contração de 0,1% da indústria e desempenho fraco do setor de serviços. Segundo o IBGE, o volume de serviços teve queda de 0,2% na margem em março, contando com um recuo de 2,1% nos serviços prestados às famílias. Com os dados de março, o IBC-BR encerrou o trimestre com queda de 0,1%, ante expansão de 1,1% no quarto trimestre de 2017. O cenário de recuperação da atividade se mantém, ainda que o ritmo dos primeiros trimestre mostre uma recuperação mais lenta do que o esperado. Para o PIB, os dados divulgados corroboram nossa visão de crescimento de 0,2% na margem no primeiro trimestre, e expansão de 2,4% no ano.

Nos EUA, as vendas no varejo tiveram desempenho sólido em abril. Na margem, o volume de vendas cresceu 0,3% em abril, em linha com o consenso do mercado. A composição do indicador revelou um crescimento difuso, contemplando a expansão de nove dos treze grupos presentes, com destaque para o crescimento de 1,4% das vendas de vestuário. No grupo de controle (exclui vendas de automóveis, alimentação, gasolina e materiais de construção), que possui maior aderência com a dinâmica do PIB, a expansão foi de 0,4% na margem. Após um primeiro trimestre no qual o consumo perdeu força, contribuindo para um crescimento modesto do PIB (2,3%, em termos anualizados), o resultado do comércio em abril sinaliza que o crescimento do PIB está em ritmo mais próximo de 3,0%, em termos anualizados. Corroborando essa visão, a produção industrial de abril cresceu 0,7%, acima da expectativa do mercado (0,6%) e mantendo o ritmo de crescimento de março. No detalhamento do indicador, o crescimento da produção teve como base a expansão em máquinas, computadores e eletrônicos. A decepção ficou por conta da produção de veículos, que recuo 1,3% na margem no mês.

Na Zona do Euro, a produção industrial teve crescimento modesto em março. No mês, o crescimento foi de 0,5% na margem, abaixo do esperado pelo mercado (0,7%). Entre os grupos, a produção de bens de consumo subiu 1,5%, enquanto a produção de bens de capital recuou 0,6%. Por país, a frustração ficou por conta da produção industrial francesa que cedeu 0,4%. Já a produção industrial da Alemanha, excluindo construção, cresceu 1,1%. Com o resultado de março, a produção industrial encerrou o primeiro trimestre com expansão de 0,6%, após crescimento de 1,3% no quarto trimestre. Para o fraco desempenho do trimestre, os grupos de energia (-0,4%) e produção de intermediários (-0,9%) foram os principais contribuintes negativos. Fatores como clima adverso, greves e tensão geopolítica afetaram negativamente o desempenho da economia europeia no primeiro trimestre. Com a atenuação desses fatores no segundo trimestre, acreditamos que a economia volte a crescer acima de 2,0% em termos anualizados, após expansão de 1,6% nos primeiros três meses do ano.

Na China, os dados de atividade apresentaram um quadro misto em abril.  No mês, a produção industrial cresceu 7,0% em termos anuais, acima do consenso do mercado (6,4%) e do resultado de março (6,0%), com destaque para o crescimento de 7,4% da indústria de transformação. Já o investimento em ativo fixo (FAI) moderou em abril, com crescimento de 7,0%, ante expansão de 7,5% em março. Na composição do FAI, a aceleração do investimento ligado à indústria foi contrabalanceado pela desaceleração do investimento residencial e em infraestrutura. As vendas no varejo, por sua vez, cresceram 9,4%, abaixo da expectativa do mercado (10%) e volume de vendas em março (10,1%), seguindo a tendência de queda nas vendas de imóveis (queda de 4,4% em abril).  Até o momento, os dados de atividade em 2018 afastam o temor de uma desaceleração abrupta da economia chinesa. Após crescimento de 6,8% em termos anuais no primeiro trimestre, esperamos que o PIB desacelere para um crescimento mais próximo de 6,5% na mesma base de comparação.

Na próxima semana, a agenda local contará com a divulgação da ata da reunião do Copom na terça-feira.  Na quarta-feira conheceremos o IPCA-15 de maio, enquanto os dados de contas externas de abril serão divulgados na quinta-feira. No calendário internacional, destaque para a ata da reunião do FED na quarta-feira e para os dados de confiança na Zona do Euro (PMI de maio).

 

 


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