14/05/2018 - 10:00 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o IPCA de abril ficou abaixo do esperado. E nos EUA, o indicador de inflação ao consumidor (CPI) também veio abaixo das expectativas dos analistas.

A inflação ao consumidor no Brasil subiu 0,22% em abril, abaixo da nossa projeção e da mediana do mercado, que esperavam alta de 0,28%. Em 12 meses, o indicador acumulou alta de 2,76%, ficando abaixo do piso da meta de inflação. A surpresa veio do grupo alimentação fora do domicílio, que registrou queda de 0,22%, a menor variação dos últimos anos. Com isso, a inflação de serviços mostrou uma desaceleração  significativa, e ficou em 3,5%. Esse movimento é reflexo do desempenho morno da economia doméstica, que ainda não apresenta uma recuperação significativa dos indicadores de atividade, especialmente, do mercado de trabalho. Assim, acreditamos que esse comportamento benigno de serviços deve permanecer ao longo do ano. O grupo de preços administrados é o único que ainda segue acima da meta. Essa dinâmica é explicada pelo setor elétrico, e com o resultado de abril, o grupo alcançou patamar de 8,4% no acumulado em 12 meses. Lembrando que no mês passado, a ANEEL estabeleceu bandeira amarela para os preços de consumo doméstico. Em resumo, a inflação ao consumidor segue na trajetória favorável de desinflação, e deve encerrar o ano com alta de 3,4%. Esse número por si, já é uma surpresa em relação à projeção do Banco Central divulgada no RTI de março. Assim, na reunião do Copom da próxima semana, ainda esperamos mais um corte de 0,25%, com a Selic alcançando 6,25% a.a.

Em termos de atividade, as vendas no varejo de março cresceram 0,3%, em linha com nossa expectativa e ligeiramente acima do mercado (0,2%). Na abertura do indicador, destacamos as vendas de combustíveis (1,4%), vestuários (0,7%) e artigos farmacêuticos (1,1%). No sentido contrário, vendas no supermercado caíram 1,1% no mês, mas ainda crescem 12,3% contra o mesmo período do ano passado devido à Pascoa que foi antecipada. Dessa forma, o efeito contrário deve ocorrer no mês de abril. Na ótica das vendas ampliadas, houve crescimento de 1,1% na margem, acima do esperado pelo mercado (0,7%) e em linha com nossa projeção. As vendas de veículos subiram 2,9% em março e confirmam com os bons dados divulgados pela Fenabrave. Assim, o resultado do varejo corrobora nosso cenário de leve crescimento do PIB no primeiro trimestre do ano, ao redor de 0,2% na margem.

Nos EUA, a inflação ao consumidor de abril subiu 0,2% na margem, abaixo do esperado. O núcleo também surpreendeu para baixo, ficando em 0,10%. Com isso, no acumulado em 12 meses o núcleo do CPI ficou em 2,1%, estável em relação ao mês passado. As maiores quedas ocorreram no grupo de veículos novos e usados (-0,5% e –1,6%, respectivamente) e tarifas de passagens aéreas (2,7%). A despeito dessas surpresas para baixo, entendemos que a inflação deve seguir firme ao redor dos 2,0% até final do ano. Esse cenário é corroborado pela forte retomada da economia americana.                                                                                                                 

Na Europa, o Banco Central inglês manteve os juros estáveis, em linha com nosso cenário. A decisão foi de sete votos contra dois, enquanto o mercado já esperava três votos a favor da alta de juros. Essa divisão ainda demonstra cautela em relação ao aperto das condições monetárias, e um certo limite em relação ao orçamento total de aperto. No mesmo dia, o relatório de inflação revisou as projeções de PIB para baixo, de 1,8% para 1,4% em 2018. As expectativas de inflação para o ano também foram revisadas para baixo (de 1,8% para 1,7%). Com isso, o BOE ainda mantém o discurso de que é apropriado manter o plano de aperto de juros, e minimizou os dados mais fracos do primeiro trimestre.

Na China, os dados do setor externo mostraram resultados melhores do que o esperado. As exportações subiram 12,9% em abril, após ter apresentado queda de 2,7% no mês anterior. As expectativas do mercado esperavam uma alta de 8,0%. Por sua vez, as importações cresceram 21,5%, acima dos 14,4% da expansão de março. Além disso, os dados de crédito cresceram 12,0% em abril contra o mesmo período do ano passado, mantendo o ritmo do primeiro trimestre. O crescimento da oferta monetária ampliada (M2) subiu 8,3% na mesma base de comparação, e mantém a trajetória de desaceleração que vem ocorrendo nos últimos anos, seguindo a política de desalavancagem gradual do país asiático. Nesse contexto, a inflação subiu 1,8%, após um primeiro trimestre pressionado (alta de 2,2%). Tanto o grupo de serviços como de alimentos mostraram forte pressão no início do ano, mas já começam a apresentar moderação.

Entre outros destaques da semana está a situação da Argentina, cuja moeda sofreu forte depreciação nas últimas semanas, catalisado pelo movimento global de aversão ao risco. Para tentar conter o movimento do peso argentino, o Banco Central tomou diversas medidas. Primeiro subiu os juros em 12,75 pontos percentuais para 40% a.a., dentro de um intervalo de uma semana. Somado a isso, entrou vendendo dólares no mercado à vista e futuro ao longo dos últimos dias. Além disso, reduziu o teto de exposição à moeda estrangeira dos bancos locais de 30% para 10%. Essa medida reverte parte da liberalização ocorrida desde o início da presidência de Maurício Macri. Conjuntamente, o Governo argentino reduziu a meta de déficit primário de 3,2% para 2,7% do PIB para o ano, com o intuito de dar credibilidade ao programa de ajustes que vem ocorrendo nos últimos anos. E por fim, o país começou a negociar uma linha de crédito com o FMI, a fim de conter a pressão contra a moeda argentina. Entendemos que os fundamentos do país seguem desfavoráveis, com déficit em conta corrente em torno de 5,0% do PIB e déficit fiscal de 3,9% do PIB no final de 2017, e por isso a urgência de reduzir esses desequilíbrios para diminuir sua fragilidade diante das oscilações externas. 

Na próxima semana, destaque da agenda doméstica ficará com a decisão do Copom sobre juros. Acreditamos que a autoridade monetária deve cortar os juros em 0,25% para 6,25% a.a., dada as evidências crescentes de uma inflação mais benigna, como visto no IPCA desta semana. Além disso, contará com divulgação do IBC-Br de março, que deverá reforçar a dinâmica menos favorável da economia do primeiro trimestre. Na agenda externa, as vendas no varejo de abril nos EUA devem ser divulgadas, assim como os números da produção industrial. Esses dados serão importantes para evidenciar a trajetória de crescimento do país americano no início do segundo trimestre. Além disso, será conhecido o PIB do primeiro trimestre na Zona do Euro. E por fim, os dados de atividade de China de abril serão destaque no bloco asiático.  

 

 
 

 

 


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