03/05/2018 - 12:10 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, os dados de crédito mantiveram a tendência de recuperação. Nos EUA, o crescimento do PIB no primeiro trimestre superou a expectativa do mercado

No Brasil, o estoque de crédito apresentou alta em termos anuais no mês de março, algo que não ocorria desde julho de 2016. O saldo de crédito no sistema financeiro totalizou R$3,08 trilhões em março, alta de 0,1% em relação ao mesmo período em 2017. Como proporção do PIB, o estoque aumentou de 46,4% em fevereiro para 46,6%. O estoque de livres avançou 3,6%, com destaque para a alta de 0,3% para pessoa jurídica, que não apresentava expansão desde fevereiro de 2016. No estoque direcionado houve recuo de 3,4%, após queda de 3,1% no mês anterior. Essa queda contou com contração em pessoa jurídica, com recuo de 11,9%. Consolidadas as informações, o estoque de crédito para pessoa física teve alta de 5,9%, enquanto pessoa jurídica recuou 6%. A respeito das medidas qualitativas, para pessoa física no segmento livre tivemos queda na inadimplência (de 5,1% para 5%) e recuo de 5p.b na taxa de juros. A inadimplência também cedeu segmento livre para pessoa jurídica, saindo de 4,8% para 4,4%, o menor patamar desde outubro de 2015. Em resumo, presenciamos um crescimento do estoque de crédito e melhora nas medidas de qualidade do crédito. Para 2018, diante da melhora no cenário de atividade, aumento da confiança dos agentes e política monetária expansionista, esperamos que o estoque de crédito apresente expansão próxima de 5%, com crescimento de 9,2% em PF e de 0,3% em PJ.

No campo fiscal, o governo central apresentou em março um resultado pior do que o esperado. No mês, o déficit primário do governo central foi de R$24,8 bilhões, resultado acima da nossa estimativa  (R$-20,3 bilhões) e do mercado (R$-18 bilhões). Em 12 meses, o governo central acumula déficit de R$117,7 bilhões (-1,8% PIB). A diferença do resultado efetivo em março frente ao nosso número decorreu do aumento das despesas discricionárias, que saltaram da média de R$16 bilhões no bimestre (janeiro e fevereiro) para R$23,6 bilhões em março. Influenciadas por receitas e despesas não recorrentes, as rubricas de receita e despesa líquida apuraram altas de 7,4% e 4,5%, respectivamente, no ano em termos reais. Para 2018, mantemos a projeção de déficit em torno de R$130 bilhões, abaixo da meta do governo de R$159 bilhões. 

Os dados do mercado de trabalho mostraram uma piora marginal em suas últimas leituras. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), a taxa de desemprego ficou em 13,1% no trimestre encerrado em março. Quando excluímos o efeito sazonal, observamos um leve aumento do desemprego, saindo de 12,4% para 12,5% entre fevereiro e março. Se compararmos esse nível ao mesmo período em 2017, contudo, temos uma queda de 0,6 p.p na taxa de desemprego, dado o aumento de 1,8% da população ocupada ante um crescimento menor da força de trabalho (1,2%). Cabe destacar que esse crescimento da população ocupada no período tem se concentrado no aumento de 5,2% da população ocupada sem carteira, enquanto o segmento com carteira assinada apresenta recuo de 1,5%. No que se refere ao rendimento médio do trabalhador, observamos uma estabilidade em termos anuais, ante crescimento de 1,8% no mês anterior. No mesmo período no ano passado, o rendimento médio real era de 2,3%. Apesar desse sinal de deterioração na margem, acreditamos que essa dinâmica não prevalecerá ao longo do ano. O crescimento da economia levará a taxa de desemprego para 11,5%. 

A nota do setor externo de março reforçou o quadro de ajuste das contas externas. No mês, o saldo em conta corrente foi superavitário em US$768 milhões, surpreendendo positivamente a nossa expectativa e a do mercado (US$-100 milhões). Em 12 meses, o saldo em conta corrente soma US$-8,3 bilhões (-0,4% do PIB). No primeiro trimestre, o saldo em conta corrente acumula déficit de US$3,2 bilhões, ante déficit de US$4,6 bilhões no mesmo período em 2017. O destaque positivo ficou por conta novamente do saldo comercial, com superávit de US$ 6 bilhões, acumulando saldo de US$13 bilhões no trimestre. A conta de serviços, por sua vez, foi deficitária em US$2,8 bilhões em março. Dentro de serviços, as despesas com viagens aumentaram 10,2% no trimestre em relação ao mesmo período em 2017. Na rubrica de renda primária, o déficit foi de US$2,6 bilhões, elevando o saldo negativo no trimestre para US$8,7 bilhões. A respeito das fontes de financiamento desse déficit, o investimento direto no país somou US$6,5 bilhões, totalizando US$64,3 bilhões em 12 meses (3,1% do PIB), enquanto as saídas líquidas em ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa somaram US$7,8 bilhões em março. A retomada moderada da atividade e a expectativa de manutenção do cenário benigno para as exportações corroboram a nossa projeção de US$-17,5 bilhões para o saldo em conta corrente nesse ano.

Nos EUA, o PIB do primeiro trimestre surpreendeu positivamente. O crescimento na margem anualizado (SAAR) foi de 2,3%, acima da mediana do mercado de 2%, o que representou uma desaceleração em relação ao último trimestre do ano passado (2,9% SAAR).  Em sua composição, o PIB norte-americano mostrou uma expansão de 1,1% SAAR no consumo, ante crescimento de 4% SAAR no trimestre anterior, e expansão de 7,3% SAAR do investimento, ante crescimento de 4,7% SAAR no quarto trimestre. Além dessa aceleração do investimento, outra fonte de surpresa positiva derivou da contribuição do setor externo, que após contribuir negativamente com -1,2 p.p no último resultado do PIB, passou a contribuir em +0,2 p.p com o PIB nos primeiros três meses de 2018. No decorrer desse ano, a implementação do pacote fiscal deverá impulsionar adicionalmente a atividade, elevando o PIB SAAR para 3%. Esse cenário de impulso adicional de crescimento sob uma condição de pleno emprego deverá resultar em aumento da pressão inflacionária, sancionando o nosso cenário de mais três elevações da taxa de juros nesse ano.

Na Zona do Euro, o Banco Central (BCE) manteve a política monetária. Conforme o esperado, o BCE manteve a taxa principal de juros em zero e a taxa de depósito negativa em 0,4% a.a. Já a taxa de empréstimos segue em 0,25% a.a. Nessa mesma linha, o programa de compra de títulos foi mantido em 30 bilhões de euros até setembro. Com poucas alterações no discurso, o presidente do BCE, Mário Draghi, fez questão de ressaltar que segue confiante com o cenário de crescimento robusto na região, apesar de reconhecer uma moderação recente na margem. Em virtude da expectativa de melhoras nos próximos dados de atividade, mantemos a expectativa de que o programa de compra de títulos não será postergado para além de setembro. A respeito da dinâmica de atividade, os dados preliminares de confiança em abril apontaram uma interrupção da piora ocorrida no primeiro trimestre. O PMI composto da região ficou estável em 55,2 pontos, após três quedas consecutivas. A estabilização do indicador, que surpreendeu a expectativa do mercado, contou com uma aceleração no PMI de serviços (de 54,9 para 55) e uma piora no PMI de indústria (de 56,6 para 56). Extrapolando esses números para PIB, após um crescimento consolidado de 0,6% no último trimestre de 2017, devemos observar uma desaceleração do crescimento para 0,3% no primeiro trimestre de 2018, e uma retomada para 0,5% no segundo trimestre.  

No Japão, o Banco Central também manteve a política monetária, mas alterou sua avaliação sobre a dinâmica de inflação. O BoJ permaneceu com a taxa de juros de curto prazo em -0,1% e de longo prazo em 0%, além de prosseguir com o programa de compras anuais de títulos em ¥80 trilhões. Sobre o cenário, a expectativa de crescimento para o ano fiscal de 2018 foi revisada de 1,4% para 1,6%, enquanto as projeções de inflação para 2017 e 2018 foram revisadas para baixo (de 0,8% e 1,4% para 0,7% e 1,3%, respectivamente). Ademais, o BoJ também excluiu do seu comunicado a menção sobre o alcance da meta de inflação (2%) em meados de 2019. A leitura da decisão corrobora a visão de que o BoJ não alterará o escopo da política monetária nesse ano.

Na próxima semana, teremos como destaque a agenda de indicadores nos EUA. Além da reunião do FED na quarta-feira, os dados de mercado de trabalho de abril serão divulgados na sexta-feira. Ainda no calendário internacional, conheceremos o PIB da Zona do Euro (primeiro trimestre) também na quarta-feira. Na agenda local, o IPCA de abril será divulgado na sexta-feira, enquanto na quinta-feira teremos a divulgação da produção industrial de março.

 

 

 
 

 

 

 


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