23/04/2018 - 11:28 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, os dados de atividade reforçaram a expectativa de crescimento moderado da atividade no início do ano. Nos EUA, as vendas do varejo se recuperaram em março.

A inflação surpreendeu favoravelmente na prévia de abril, e indica que o cenário inflacionário benigno permanece nesse início de segundo de trimestre. O IPCA-15 registrou alta de 0,21% em abril, e ficou abaixo da nossa projeção e da mediana das expectativas de mercado, que era de 0,25%. A inflação acumulada em 12 meses ficou estável em 2,8% em abril. A forte alta dos preços de administrados foi compensada pela menor inflação de itens livres. A inflação de administrados foi pressionada pelos aumentos de energia elétrica, gasolina e medicamentos. No caso da inflação de preços livres, a alimentação em domicílio, aluguel e passagens áreas tiveram variações menores que o esperado. A média dos núcleos de inflação manteve comportamento benigno e ficou estável em 3,2% em termos anuais. O índice de difusão também segue favorável e desacelerou de 55,1% em março para 49,9% em abril. Para o fechamento de abril, a nossa expectativa para o IPCA é alta de 0,30%.

A economia teve desempenho modesto em fevereiro e cresceu ligeiramente na margem, o que reforçou a expectativa de crescimento moderado no primeiro trimestre. O índice de atividade do BC (IBC-BR), que é uma proxy do PIB mensal, cresceu 0,1% na margem em fevereiro, e ficou ligeiramente acima da mediana das expectativas, que era de estabilidade para o indicador. O resultado confirmou o fraco desempenho da economia que já havia sido sinalizado nas vendas do varejo, na produção industrial e no setor de serviços. Na comparação anual, o IBC-BR registrou alta de 0,7%, e considerando o bimestre janeiro e fevereiro, o indicador registrou alta de 1,8% na comparação anual. Esse desempenho anual seria compatível com a economia crescendo 0,5% no primeiro trimestre. Nossa avaliação é que a frustração dos indicadores de janeiro e fevereiro, juntamente com a nossa expectativa para o desempenho da economia em março, deverá resultar num crescimento moderado no início desse ano , e assim revisamos nossa expectativa de crescimento do primeiro trimestre de 0,5% para 0,2% na margem, o que é compatível com alta de 1,4% em termos anuais.

A geração de vagas seguiu em ritmo moderado em março e sinalizando uma recuperação ainda gradual do emprego formal. A economia registrou a abertura de 56,1 mil vagas em março, e esse resultado foi abaixo da nossa expectativa de criação de 71,4 mil vagas. Em termos dessazonalizados, houve a abertura de 36,7 mil vagas. A média móvel dos últimos três meses até março ficou em 27,6 mil vagas, e encerrou o primeiro trimestre em um ritmo inferior ao esperado no nosso cenário, que era abertura de 66 mil vagas em média. Em março, o comércio e os serviços registraram abertura de 12,9 mil e 31,2 mil vagas, respectivamente, em termos dessazonalizados. Por outro lado, a indústria e construção civil registraram o fechamento de 2,4 mil e 5,7 mil postos de trabalho. Essa dinâmica da indústria e da construção reverteu a tendência de melhora observada nos últimos meses nesses setores e impactou o resultado de emprego da economia em geral. 

Nos Estados Unidos, as vendas do varejo voltaram a crescer em março, após três meses de desempenho abaixo do esperado. As vendas do varejo cresceram 0,6% na margem em março, e ficaram acima das expectativas, que eram de alta de 0,4% na margem. Esse foi o melhor desempenho desde novembro do ano passado. As vendas do varejo excluindo automóveis, gasolina e materiais de construção, que são usadas como indicador de consumo de bens no cálculo do PIB, registraram alta de 0,4% na margem em março, e reverteram três meses consecutivos de declínios. Apesar da melhora de março, o primeiro trimestre não foi um período favorável para as vendas do varejo na economia americana, e indicam que o crescimento do consumo deverá desacelerar de alta de 3,8% no último trimestre do ano para 1,1% na margem no primeiro trimestre desse ano. O desempenho mais fraco do consumo impactou a projeção de crescimento do PIB para esse início de ano, e a expectativa é que a economia cresça 1,7% no primeiro trimestre em termos anualizados. Nossa expectativa é que a diminuição dos impostos para as famílias devido ao pacote fiscal, que deverá ser efetivado ao longo do ano, e a manutenção do mercado de trabalho robusto deverão permitir que o consumo volte a acelerar a partir do segundo trimestre para o ritmo de crescimento de 2,5% na margem em termos anualizados.

Na Europa, a inflação permanece bem comportada no primeiro trimestre e a apreciação do euro teve baixo impacto na inflação de bens até esse momento. A inflação da Zona do Euro registrou alta de 1,3% em março e desacelerou em relação à previa, que indicava alta de 1,4% em termos anuais. As inflações dos itens alimentação e energia são grupos de maior pressão no índice com altas de 1,5% e 2,0% em termos anuais. Quando se exclui esses itens, o núcleo de inflação segue bem comportado com alta de 1,0% na comparação anual em março, e abaixo da meta de inflação do Banco Central Europeu (BCE) de 2,0% ao ano. Uma fonte de preocupação para a dinâmica de inflação de curto prazo é o impacto da apreciação do euro, mas a inflação de bens segue firme e sem sinais de maior contaminação do fortalecimento do euro. Por outro lado, a inflação de serviços segue sem maiores pressões, o que mantém o núcleo de inflação em patamares confortáveis considerando a meta de inflação do BCE. Nesse ambiente, esperamos que na reunião da próxima semana o BCE não mude sua sinalização em relação a continuidade do programa de compras de ativos, que está previsto para ser encerrado em setembro desse ano. 

Na China, os indicadores de atividade de março foram mais fracos, porém o crescimento da economia no primeiro trimestre ficou dentro do esperado. A economia chinesa cresceu 6,8% no primeiro trimestre em termos anuais, e foi beneficiada pelo forte crescimento do consumo e a recuperação dos investimentos privados que compensaram a queda das exportações líquidas. O consumo contribuiu com 5,3 pontos percentuais e foi o principal componente para o resultado pela ótica da demanda. O investimento contribuiu com 2,1 pontos percentuais para o resultado do PIB do primeiro trimestre frente a contribuição de 1,7 pontos percentuais no quarto trimestre. O investimento privado foi o responsável por esse aumento da contribuição dos investimentos. As exportações líquidas tiveram contribuição negativa de 0,6 ponto percentual, devido ao crescimento das importações mais rápido do que das exportações. Os indicadores de atividade de março foram mais fracos que o esperado com a produção industrial e os investimentos em ativos fixos crescendo mais lentamente. O principal fator de desaceleração  dos investimentos foi a diminuição dos investimentos em infraestrutura devido ao aperto das condições de financiamento dos governos locais, que estão refletindo os esforços do governo de desalavancar a economia. Por outro lado, os investimentos em produção de produtos de alta tecnologia e investimentos na indústria em geral aceleraram em março, e sinalizam a busca pelo crescimento mais equilibrado. Os investimentos totais cresceram 7,2% na comparação em março. A produção industrial cresceu 6,0% em termos anuais em março, e desacelerou em relação ao ritmo de 7,2% na média de janeiro e fevereiro na mesma base comparação. O sinal mais favorável dos indicadores de março foi o resultado das vendas do varejo que cresceram 10,1% em termos nominais na comparação anual, e indica que o mercado de trabalho robusto está compensando o aperto do crédito para o consumo feito pelo governo.

Na próxima semana, os destaques da agenda internacional serão o PIB do primeiro trimestre dos EUA e a reunião do Banco Central Europeu. Nos Estados Unidos, serão divulgados os pedidos de bens duráveis de março na quinta-feira e a primeira prévia do PIB do primeiro trimestre na sexta-feira. Na Europa, o Banco Central Europeu divulgará sua decisão na quinta-feira e a prévia do PMI de abril será divulgada na segunda-feira. No Brasil, o destaque será a divulgação dos dados do mercado de trabalho de março na sexta-feira. Além disso, será divulgado o resultado do setor externo de março na quarta-feira, o resultado fiscal do setor público na quinta-feira e o IGP-M de abril na sexta-feira.



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