16/04/2018 - 08:21 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, as vendas no varejo caíram 0,2% em fevereiro, pior do que o esperado. Nos EUA, a inflação ao consumidor  recuou  0,06% em março, em linha com as projeções.

 

As vendas no varejo domésticas frustraram as expectativas de mercado (+0,7%) e recuaram 0,2% em fevereiro. Na comparação anual, as vendas restritas cresceram 1,3% desacelerando de 3,1% em janeiro. A principal decepção veio do setor de Supermercados que caiu 0,6% na comparação mensal, e do setor de Vestuários com queda de 1,7%. Por outro lado, as vendas de móveis e eletrodomésticos subiu 1,5%. No mesmo sentido, as vendas ampliadas contraíram 0,1% no mês e também ficaram abaixo das projeções. A despeito disso, as vendas de automóveis e material de construção cresceram 2,5% e 0,3%, respectivamente. O resultado das vendas ampliadas não é resultado da soma das partes dessazonalizadas separadamente, pois o IBGE realiza a dessazonalização do grupo como um todo. De todas as formas, o resultado do varejo coloca um viés negativo para nossa projeção do primeiro trimestre do ano, que está em 0,5% na comparação contra o trimestre anterior.

O IPCA de março ficou em 0,09%, encerrando em 0,70% no acumulado do primeiro trimestre. A análise do dado mostra que o comportamento dos preços domésticos segue favorável. O grupo que mostrou maior queda foi Transportes (-0,25%), puxado pela deflação dos preços das passagens aéreas. Além disso, o comportamento dos combustíveis também apresentou recuo (-0,04%), especialmente nos preços da gasolina. Outro grupo que contribuiu com queda foi Comunicação (-0,33%), devido à redução nas tarifas das ligações locais e interurbanas, de fixo para móvel. No outro sentido, o grupo que mais contribuiu para a alta foi Saúde e Cuidados Pessoais (+0,48%), impacto do item plano de saúde. Analisando pela ótica de Serviços, o grupo mostrou alta de 0,08%, e acumula alta de 3,9% nos últimos doze meses. Acreditamos que o mercado de trabalho deve continuar corroborando com essa dinâmica benigna ao longo do ano, devido à queda ainda gradual do desemprego. Nesse sentido, a média dos núcleos está em 3,2% no acumulado dos últimos doze meses. Outro exemplo do bom comportamento dos preços é visto no Índice de difusão - mede quantos itens estão subindo no mês - que se encontra nos menores patamares (49%) dos últimos anos. Assim, o resultado do IPCA de março confirma nossa projeção para o final do ano segue em 3,5%.

Nos EUA, o índice de inflação ao consumidor caiu 0,06%, em linha com o esperado. No acumulado em doze meses, o indicador ficou em 2,4%. A abertura do resultado mostrou que o grupo de Energia caiu 2,8%, puxado pela queda dos preços de gasolina. Por outro lado, o núcleo do CPI subiu 0,2% na comparação mensal. O núcleo de serviços também teve alta significativa no mês (+0,3%), com alguns grupos apresentando uma recuperação mais consistente dos preços, como aluguel e serviços médicos. Nesse sentido, o mercado de trabalho americano está no pleno emprego o que deve continuar exercendo pressão sobre os preços na economia. E assim, a inflação deve convergir para mais próximo da meta do FED. Neste sentido, a Ata divulgada também reforçou o cenário de alta gradual dos juros, em linha com uma normalização da política monetária sem grandes sobressaltos. Nossa projeção é de três altas adicionais ainda este ano.  

Na Zona do Euro, a produção industrial de fevereiro caiu 0,8% no mês, abaixo das expectativas. O resultado negativo foi puxado pela Alemanha e Itália, duas das maiores economias do bloco. Parte desse movimento pode ser explicado pelo fator climático, pois o inverno neste ano foi mais rigoroso do que anos anteriores. Ainda assim, a divulgação adiciona sinais de que há uma moderação da atividade na região desde o início do ano, após o PIB do quarto trimestre de 2017 ter sido o melhor resultado da última década. Isso ocorre num momento em que o Banco Central Europeu está reavaliando os próximos passos de política monetária. Nesse contexto, acreditamos que a autoridade monetária deve manter o atual desenho ao longo deste ano, e somente começará a retirada de estímulos em 2019.

Na China, a inflação ao consumidor desacelerou para 2,1% em março. A moderação veio do grupo de Alimentos que tem mostrado um comportamento mais volátil no início do ano, devido ao calendário lunar. Da mesma forma, a Inflação ao produtor desacelerou de 3,7% para 3,1%.  Por sua vez, as exportações caíram 2,7% contra o mesmo período do ano passado, ficando abaixo do esperado. Enquanto as importações  subiram 14,4% ne mesma base de comparação. A princípio seria muito precipitado pressupor que esse resultado é consequência do embate comercial entre China e os EUA, pois as principais medidas anunciadas pelo presidente americano ainda não entraram em vigor. Por fim, os dados de crédito continuam na trajetória de moderação, especialmente do crédito fora do setor bancário, o que vem em linha com o plano de desalavancagem estabelecido pelo governo chinês.

Na próxima semana, destaque na agenda doméstica é a divulgação do indicador de atividade (IBC-Br) do Banco Central referente a fevereiro. Assim como também o resultado da Arrecadação Fiscal de março. Nos EUA, serão conhecidos os dados das vendas no varejo e produção industrial de março. Além disso, os resultados do setor imobiliário também serão divulgados. NA Zona do Euro, os números de inflação ao consumidor será destaque da agenda do bloco. Na Ásia, serão divulgados os resultados finais da indústria de fevereiro do Japão, assim como os números de inflação ao consumidor de março. Na China, destaque para o resultado do PIB do primeiro trimestre. Além disso, os indicadores da indústria, varejo e investimentos também serão destaques.

 

 


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