09/04/2018 - 09:10 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS 

No Brasil, os indicadores de atividade industrial sugerem recuperação mais lenta no primeiro trimestre. No mundo, a confiança apresentou moderação em março.

No Brasil, a produção industrial avançou em fevereiro, mas mostrou sinais de moderação no primeiro trimestre. A produção industrial registrou expansão de 0,2% em fevereiro na comparação com janeiro, com ajuste sazonal, após queda de 2,2% no mês anterior. Na comparação anual, houve avanço de 2,8% frente crescimento de 5,8% em janeiro. No mês, a produção de bens intermediários e semiduráveis e não duráveis recuaram 0,7% e 0,6%, respectivamente, na comparação com janeiro. Por seu turno, as produções de capital e duráveis avançaram 0,1% e 1,7%, respectivamente, frente o mês anterior. Caso a produção industrial fique estável em março, ela encerrará o primeiro trimestre com expansão de apenas 0,1% após avançar 1,6% no quarto trimestre do ano anterior. O ritmo mais lento da atividade industrial no primeiro trimestre colocam um viés de baixa na nossa projeção de crescimento de 0,7% do PIB no primeiro trimestre.

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho desacelerou o ritmo de abertura de vagas e a confiança da indústria acomodou em março. A economia americana registrou a abertura 103 mil vagas em março, e esse resultado ficou abaixo das expectativas, que era de criação de 185 mil vagas. A volatilidade dos dados de emprego é sempre elevada, e por isso é preferível avaliar as médias móveis buscando suavizar os movimentos mensais. As médias móveis de três e seis meses ficaram em 202 mil e 211 mil vagas, respectivamente, e se mantiveram em patamar elevado a despeito do dado mais fraco de março. A taxa de desemprego ficou em 4,1% em março e subiu em relação ao patamar de 4,0% observado em fevereiro. Apesar dessa alta na margem, a taxa de desemprego de longo prazo, que inclui o emprego em tempo parcial, registrou importante queda de 8,2% para 8,0% devido à diminuição da ocupação temporária. Os salários registraram alta de 2,7% na comparação anual em março, e aceleraram em reação ao patamar de alta de 2,6% observado em fevereiro. Apesar da volatilidade de curto prazo, o mercado de trabalho segue robusto, com tendência de queda do desemprego e aumento dos salários. A confiança da indústria registrou acomodação na margem na passagem de fevereiro para março. Após ter atingido o patamar máximo desse ciclo em fevereiro, o ISM recuou de 60,8 para 59,3 pontos, entre fevereiro e março. Embora tenha arrefecido em março, o ISM permaneceu em patamar elevado e indicando expansão. Os componentes do ISM também registraram acomodação na margem, com destaque para novas ordens e produção, que recuaram 2,3 e 1,0 pontos em março, mas permaneceram nos patamares de 61,9 e 61,0 pontos, respectivamente. O nível do ISM e dos seus componentes continuam sugerindo um ritmo sólido de crescimento da indústria nos próximos meses.    

Na Zona do Euro, o índice de confiança encerrou o trimestre em queda. O indicador PMI composto recuou para 55,3 pontos em março de 57,1 pontos em fevereiro. Esse é o menor patamar do índice desde janeiro de 2016. Na média do trimestre, o indicador ficou em 57,1 pontos no primeiro trimestre contra 57,2 pontos no trimestre anterior. Embora a média tenha ficado praticamente estável no trimestre, o índice tem recuado ao longo do ano. O atual nível do PMI composto é compatível com uma expansão de 0,7% no PIB no primeiro trimestre, após avanço de 0,6% último trimestre do ano passado. A moderação da confiança ao longo do primeiro trimestre já se reflete nos dados de atividade. As vendas no varejo avançaram 0,1% em fevereiro, resultado abaixo da expectativa do mercado (0,5%), após queda de 0,3% em janeiro. Caso as vendas no varejo fiquem estáveis março, o indicador encerrará o primeiro trimestre com queda de 0,3% após alta de 0,4% no quarto trimestre de 2017. Com relação à inflação, o índice teve alta de 1,4% em março na comparação anual, acelerando de 1,2% em fevereiro. O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, apurou alta de 1,0% em março, estável frente o mês anterior. A recente moderação da atividade e a inflação abaixo da meta podem pressionar o Banco Central Europeu (BCE) a estender o seu programa de estímulos monetários.

Na Ásia, os indicadores de confiança recuaram em março. Na China, o indicador PMI composto (Caixin) recuou para 51,8 pontos em março de 53,3 pontos no mês anterior. Esse é o menor nível desde novembro de 2017. A moderação em março foi puxada pela queda na confiança dos empresários dos setores industrial e de serviço. O PMI serviço atingiu 52,3 pontos de 54,2 pontos em fevereiro. No setor industrial, a queda teve menor intensidade, recuando para 51,0 pontos em março de 51,6 pontos no mês anterior. No Japão, também houve queda no indicador PMI composto, que atingiu 51,3 pontos em março de 52,2 pontos em fevereiro. A moderação em março foi causada pelo setor de serviços, no qual a confiança recuou para 51,3 pontos de 52,2 pontos no mês anterior. A moderação da confiança na Ásia seguiu o comportamento observado nos Estados Unidos e Zona do Euro. Acreditamos que isso possa estar refletindo os temores quanto à uma possível guerra comercial. Por ora, mantemos nossa visão de aceleração do crescimento global em 2018. No entanto, caso haja avanço nas ações protecionistas, isso pode prejudicar o crescimento da região.

Na próxima semana, as divulgações das pesquisas do varejo e de serviço de fevereiro e a inflação de março serão os principais eventos da semana. Com relação à inflação, projetamos avanço de 0,12% em março após alta de 0,32% em fevereiro. A desaceleração em março decorre da menor inflação nos preços dos alimentos e no grupo educação. Se a nossa projeção se confirmar, em 12 meses o índice acumulará alta de 2,72% ante 2,84% no mês anterior. No âmbito internacional, os dados de inflação e ata do FOMC serão os destaques na semana nos Estados Unidos. Na Zona do Euro, as atenções do mercado estarão voltadas para a divulgação da produção industrial de fevereiro.


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