02/04/2018 - 08:35 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, o Banco Central manifesta a intenção de realizar um novo corte de juros em maio 

No Brasil, o Banco Central (BCB) manifestou por meio de seus comunicados que deverá reduzir a taxa de juros em 25p.b na reunião de maio e realizar uma pausa posteriormente. A ata da reunião na qual o Banco Central cortou os juros em 25p.b, levando a taxa Selic para 6,50% a.a., confirmou a percepção de que há espaço para uma flexibilização moderada adicional da taxa de juros em maio. Essa conclusão decorre de um entendimento de consistência na recuperação da atividade doméstica e global, mas de uma percepção que a inflação evolui de forma mais benigna do que o esperado, abrindo a possibilidade de postergação de convergência da inflação para a meta. Em relação as decisões posteriores a reunião de maio, o BCB julga adequado interromper o processo de flexibilização monetária para avaliar a evolução da economia e sua reação aos estímulos monetários já implementados. Ainda nesse debate, um ponto interessante da ata ficou por conta do posicionamento de alguns membros do BCB que não estão de acordo em se comprometer com uma sinalização de final de ciclo de corte de juros nesse momento. Corroborando as  discussões da ata, no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) o Banco Central reafirmou esse quadro de preços comedidos ao reduzir suas expectativas de inflação. Utilizando as premissas do mercado (Focus), as projeções do IPCA foram reduzidas para 2018 (de 4,2% para 3,8%), 2019 (de 4,2% para 4,1%) e 2020 (de 4,1% para 4%). A expectativa para PIB nesse ano, por sua vez, se manteve em 2,6%.  Após os comunicados, avaliamos que o cenário ainda comporta mais uma redução da Selic de 6,5% para 6,25% na reunião de maio, permanecendo nesse patamar no restante do ano.  

O setor público consolidado registrou déficit de R$17,4 bilhões em fevereiro, em linha com a expectativa do mercado. Em 12 meses, o saldo cedeu de R$ 100,3 bilhões para R$ 94,3 bilhões (1,4% do PIB) entre janeiro e fevereiro. Desde outubro, quando alcançou o pico da série (R$ 100,87 bilhões), o déficit em 12 meses tem apresentado recuos graduais. O número de fevereiro foi composto por um déficit de R$ 19 bilhões no governo central, superávit de R$ 2 bilhões nos governo regionais e de R$ 438 milhões nas empresas estatais. Analisando o resultado nominal, a despesa líquida com juros atingiu R$28,4 no mês e R$ 390,3 bilhões em 12 meses (5,9% do PIB), levando o déficit nominal para R$45,8 bilhões em fevereiro e para um total de R$ 484,6 bilhões em 12 meses (7,3% do PIB). Em termos de endividamento, a dívida bruta totalizou R$ 4,96 trilhões (75% do PIB). Em nossa avaliação, o resultado fiscal no primeiro bimestre superou a expectativa, confirmando o cenário de contenção nos gastos do governo e melhora na arrecadação em virtude da recuperação da atividade. Nesse contexto, acreditamos que o governo registrará ao final de 2018 um déficit de R$ 129 bilhões, abaixo da meta estipulada de déficit de R$ 159 bilhões. 

A nota de crédito de fevereiro mostrou um quadro misto para a concessão e uma estabilidade no nível de inadimplência. O estoque total de crédito na economia atingiu R$3,06 trilhões em fevereiro, recuo de 0,3% em relação ao mesmo período em 2017. A composição desse saldo contou com a expansão de 5,8% na carteira de crédito para pessoa física (PF), com destaque para a expansão de 6,2% no segmento livre, e queda de 6,7% em pessoa jurídica (PJ). A respeito das concessões, para PF tivemos aceleração em termos reais entre janeiro e fevereiro (de 12,3% para 14,6%) para o segmento livre, enquanto que para o PF direcionado o ritmo de contração foi aprofundado (-0,8% para -7,3%). Para PJ, as concessões no segmento livre também aceleraram (de 4,4% para 21,9%), enquanto o PJ direcionado manteve sua trajetória de deterioração (de -18,1% para -26%). Com esses números, a relação crédito/PIB recuou de 46,6% para 46,4%. No que tange à inadimplência, observamos um quadro de estabilidade tanto em PF (3,7%) como em PJ (3,1%). Por fim, os spreads registraram pequena oscilação em PF (de 25,9 p.p para 27,1 p.p) e PJ (10,8 p.p para 11,1 p.p). Para 2018, diante da melhora no cenário de atividade, aumento da confiança dos agentes e política monetária expansionista, esperamos que o estoque de crédito apresente expansão próxima de 5%, com crescimento de 9,2% em PF e de 0,3% em PJ.

O mercado de trabalho manteve sua trajetória de melhora gradual. No trimestre encerrado em fevereiro, a taxa de desemprego subiu para 12,6% de 12,2% em janeiro. Quando excluímos o efeito sazonal, no entanto, observamos uma leve queda na taxa de desemprego de 12,5% para 12,4%. Se compararmos esse nível ao mesmo período em 2017, temos uma queda de 0,6 p.p na taxa de desemprego, dado o aumento de 2% da população ocupada frente a um crescimento menor da força de trabalho (1,3%). Cabe destacar que esse crescimento da população ocupada no período tem se concentrado no aumento de 5% da população ocupada sem carteira, enquanto o segmento com carteira assinada apresenta recuo de 1,8%. No que se refere ao rendimento médio do trabalhador, observamos um aumento de 1,1% em termos anuais, ante 1,2% no mês anterior. No mesmo período no ano passado, o rendimento médio real era de 2,2%. A expectativa de expansão de 3% da economia nesse ano deve levar a taxa de desemprego para 10,5%.

No cenário internacional, a agenda de dados econômicos teve a divulgação de poucos indicadores. Nos EUA, o PIB do quarto trimestre sofreu leve revisão altista em sua terceira leitura. No último trimestre de 2017 a economia dos EUA cresceu 2,9% na margem anualizado, superando a divulgação preliminar de crescimento de 2,7%. A revisão refletiu a melhoras nos números de gastos do consumidor e aumento dos estoques. Para o primeiro trimestre de 2018, os dados divulgados até o momento apontam uma desaceleração do crescimento para 2%. Na Europa, a inflação (CPI) na Alemanha (1,5%) e Espanha (1,3%) registraram aceleração abaixo do esperado em março, confirmando um cenário de inflação acomodada na região, a despeito do crescimento acima do potencial na região. Na Ásia, o destaque ficou por conta dos dados de vendas no varejo no Japão. Em fevereiro, as vendas no comércio japonês registraram crescimento de 1,6% em termos anuais, mantendo o ritmo do crescimento de janeiro, mas desacelerando ante a média de crescimento das vendas em 2017 (1,9%). Após um crescimento surpreendente em 2017 (1,7%), esperamos que a economia do Japão desacelere para um crescimento mais próximo de 1,3%. De modo geral, embora a economia global mostre alguns sinais de acomodação na margem, pode-se dizer que o ritmo robusto de crescimento observado em 2017 se manteve nos primeiros meses do ano.

Na próxima semana, o calendário de indicadores econômicos no Brasil contempla a divulgação da produção industrial de fevereiro. Na agenda global, os destaques ficam por conta da divulgação do relatório do emprego de março nos EUA, além dos dados de confiança na Zona do Euro e China (PMI).



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