26/03/2018 - 11:57 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

 

No Brasil, o COPOM cortou os juros para 6,50%, mas deixou aberta a possibilidade de corte adicional na próxima reunião. Por outro lado, nos EUA, o Fed subiu a taxa de juros para 1,75%.

O Banco Central cortou os juros em 0,25% levando a taxa Selic para 6,50% a.a., em linha com o consenso. No entanto, o comunicado emitido após a reunião deixou em aberto a possibilidade de um corte adicional na próxima reunião em maio. Nesse sentido, o documento corrobora a confiança da autoridade monetária na recuperação consistente da atividade doméstica e na continuidade do crescimento da economia global desde a última reunião. Por outro lado, as expectativas de inflação do mercado continuaram sendo revisadas levemente para baixo. As projeções do mercado para 2018 recuaram de 3,9% para 3,6%. E por sua vez, as expectativas para 2019 caíram de  4,25% para 4,2%. Dessa maneira, entendemos que a retomada ainda gradual da economia doméstica, combinado com um comportamento benigno da inflação, são favoráveis para  um corte adicional de 0,25% na próxima reunião, com a taxa Selic alcançando 6,25% e mantendo-se nesse patamar até o fim deste ano. Segundo o BC, os riscos para esse cenário continuam sendo pautados pela possibilidade de frustração das reformas, assim como pela reversão do ambiente externo favorável aos países emergentes.  

O IPCA-15 de março subiu 0,10%, abaixo das expectativas de mercado de 0,11% e acima da nossa projeção de 0,07%. Analisando a abertura do indicador, o grupo Alimentação e bebidas caiu pelo segundo mês consecutivo (-0,07%), puxado pelos alimentos consumidos no domicílio. O resultado do grupo foi o principal desvio em relação à nossa projeção, devido a uma menor queda do número efetivo em relação à coleta sugerida pelo varejo. Adicionalmente, o grupo Comunicação caiu 0,19%, influenciado pela redução de tarifas de ligações. No outro sentido, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais subiu 0,54% devido ao impacto do reajuste de planos de saúde.  Em 12 meses, o IPCA-15 acumulou alta de 2,8%, ficando ainda abaixo do piso do intervalo de tolerância do BC (3,0%). Assim, analisando o IPCA sem  a volatilidade de alimentos, o indicador de inflação continua mostrando uma composição benigna no curto prazo. Os núcleos também seguiram o tom mais positivo e estão em 3,04% em 12 meses. Nossa projeção para o final do ano é de 3,5%.

Por sua vez, nos Estados Unidos, o Banco Central americano subiu a taxa de juros em 0,25% para 1,75%, conforme esperado pela maioria dos analistas. A mediana das projeções dos membros do comitê  em relação aos juros permaneceu em 2,1% (duas altas adicionais) neste ano e subiu para 2,9% e 3,4% em 2019 e 2020, respectivamente. Esse movimento vem acompanhado de uma melhora no cenário de crescimento, que foi revisado para 2,7% em 2018 e 2,4% ano que vem. Assim como a taxa de desemprego recuou ainda mais nos anos que se seguem. Dessa maneira, acreditamos que o cenário favorável da atividade econômica, que recebeu um impulso adicional do pacote fiscal aprovado no começo do ano,  deve seguir corroborando com o ciclo gradual de aperto monetário. Nesse sentido, nosso cenário base continua projetando mais 3 altas neste ano.

Ainda nos EUA, os pedidos de bens duráveis de fevereiro superaram as expectativas e mostraram um resultado robusto em vários detalhes. Os pedidos subiram 3,1%, revertendo boa parte da queda vista em janeiro (-3,5%). Se analisarmos os dados retirando os itens mais voláteis como itens de defesa e aviação, os pedidos tiveram alta de 1,5%. As entregas cresceram 1,8%, o resultado mais forte dos últimos meses. Dessa maneira, os pedidos de bens duráveis, que são usados para compor o PIB de investimentos, sinalizam um bom momento da atividade americana.

Na Zona do Euro, o PMI composto de março mostrou queda , indicando um momento de moderação da economia do bloco. O indicador composto ficou em 55,3, recuando de 57,1 pontos em fevereiro. Essa moderação dos indicadores de atividade devem elevar a cautela do Banco Central europeu em relação à trajetória de retirada de estímulos. Por sua vez, no Reino Unido a taxa de juros foi mantida estável em 0,50% a.a. pelo Banco Central inglês, conforme esperado. No entanto, houve dois diretores votando para subir já nesta reunião, o que confirma a expectativa de alta dos juros na próxima reunião de maio. Esse cenário vem em linha com a visão positiva da economia inglesa, que mostra uma taxa de desemprego em 4,3%, mínimo histórico das últimas décadas, combinado com uma inflação em 2,7%.

A próxima semana, será mais curta devido ao feriado de Páscoa no Brasil, mas está previsto serem divulgados o Relatório Trimestral de Inflação do primeiro trimestre e os dados de Crédito referente a fevereiro. Além disso, ainda na agenda doméstica, é esperada a divulgação do resultado fiscal do Governo Central e do Setor Público e os indicadores de emprego da PNAD, ambos de fevereiro. Nos EUA, é aguardado o dado do deflator do PIB (PCE) de fevereiro, juntamente com os dados de consumo das famílias. Na Europa, serão divulgados os números de confiança da Zona do Euro. No Reino Unido será conhecido o resultado do PIB do quarto trimestre de 2017. E por fim, na China os PMIs da indústria e do setor de serviços referentes a março serão conhecidos.     

 

 

 
 

 

 


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