20/03/2018 - 09:22 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS 

No Brasil, os indicadores de atividade apresentaram queda no início do ano. Nos EUA, os dados de econômicos seguem robustos, mas sinalizam moderação no primeiro trimestre.

 No Brasil, o comércio e os serviços iniciaram o ano apresentando contração na margem. As vendas do comércio varejista avançaram 0,9% em janeiro na comparação com dezembro, com ajuste sazonal, e 3,2% frente o mesmo mês do ano anterior. A alta na comparação mensal foi puxada principalmente pela expansão de 2,5% nas vendas dos supermercados. O comércio varejista ampliado, que ainda inclui as vendas de automóveis e construção civil, e é mais relevante para o PIB recuou 0,1% na comparação mensal, mas avançou 6,5% na comparação anual. Nos últimos 12 meses, os volumes do comércio varejista e ampliado acumulam expansões de 2,5% e 4,6%, respectivamente. Com relação à pesquisa do setor de serviços, o volume recuou 1,9% em janeiro frente dezembro, com ajuste sazonal, e apurou queda de 1,3% na comparação com janeiro de 2017. O indicador havia avançado 1,5% em dezembro frente novembro, com ajuste sazonal. Na comparação com o mês anterior, os recuos nos segmentos de Transportes, serviços auxiliares dos transportes e correios (-3,0%) e dos serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,4%) explicam a contração em janeiro. Nos últimos 12 meses, a pesquisa mensal de serviços acumula queda de 2,7%. A despeito dos recuos da produção industrial, vendas no varejo ampliado e da pesquisa de serviços em janeiro, acreditamos que a recuperação da economia brasileira segue em curso, e esperamos uma gradual reversão dos indicadores nos próximos meses. Portanto, diante desse cenário, projetamos avanço de 3,0% no PIB em 2018 após expansão de 1,0% no ano anterior.

Nos Estados Unidos, a atividade econômica segue apresentando dados robustos, principalmente no setor industrial. A produção industrial avançou 1,1% em fevereiro após queda de 0,1% no mês anterior, resultado acima da expectativa do mercado (+0,4%).  No mês, o nível de utilização da atividade industrial atingiu 78,1% de 77,5% no mês anterior. Esse é o maior patamar de utilização desde o início de 2015. Caso a atividade industrial fique estável em março, o indicador deve encerrar o trimestre com alta de 0,8% frente expansão de 2,0% no quarto trimestre. Com relação ao comércio, as vendas no varejo registraram queda de 0,1% em fevereiro após recuar 0,3% em janeiro. Por sua vez, quando consideramos o grupo de controle, relevante para a mensuração do PIB, o indicador apurou alta de 0,1% em fevereiro, após estabilidade no mês anterior, no entanto, o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado (0,4%). Caso as vendas do grupo de controle fiquem estáveis em março, o índice encerará o primeiro trimestre com alta de 0,3% em termos anualizados após expansão de 6,2% no quarto trimestre. Mesmo com o desempenho robusto da atividade, a inflação segue bem comportada. O índice de preço ao consumidor (CPI) avançou 2,2% em fevereiro na comparação anual, acelerando de 2,1% no mês anterior. O núcleo de inflação, medida que exclui os preços dos alimentos e energia, ficou estável em 1,8%, em linha com a expectativa do mercado. Acreditamos que o robusto desempenho da atividade econômica, em especial do mercado de trabalho, irá acelerar a inflação ao longo do ano. Com isso, o FED deve promover novas altas na taxa de juros no decorrer do ano.

Na Zona do Euro, a atividade industrial registrou queda no início do ano e o nível de emprego segue se recuperando. A produção industrial recuou 1,0% em janeiro, resultado pior que o esperado (-0,5%), após alta de 0,4% em dezembro. As quedas na produção de energia (-6,6%), bens intermediários (-1,0%) e bens duráveis em janeiro explicam a contração da produção industrial no início do ano. Entre os principais membros da região, a atividade industrial avançou 0,3% na Alemanha enquanto apurou quedas de 2,0% na França e 2,5% na Espanha. Na nossa visão, devido ao patamar ainda elevado dos indicadores de confiança, acreditamos que o recuo em janeiro foi pontual e esperamos uma reversão nos próximos meses. Com relação ao emprego, a população ocupada avançou no quarto trimestre, alta 0,3% na comparação com o terceiro trimestre e 1,6% frente o quarto trimestre de 2016. Acreditamos que o emprego seguirá em recuperação na Zona do Euro em linha com o desempenho robusto da atividade econômica. Projetamos alta de 2,5% no PIB da região em 2018, o mesmo nível registrado em 2017.

Na China, a produção industrial e os investimentos intensificaram o ritmo de expansão no início do ano. A produção industrial avançou 7,2% no primeiro bimestre do ano, resultado acima da expectativa do mercado (6,2%) e acelerando frente a expansão de dezembro (6,6%). Os investimentos fixos também registraram ritmo mais intenso de crescimento no período. Eles avançaram 7,9% no primeiro bimestre após crescerem 7,2% em dezembro. O resultado também ficou acima da expectativa do mercado (7,0%). Por seu turno, as vendas no varejo apresentaram ligeira moderação no início do ano. O varejo apurou expansão de 9,7% frente crescimento de 10,2% em dezembro. Embora os indicadores de atividade tenham iniciado em ano em alta, acreditamos em gradual moderação ao longo do ano. Projetamos expansão de 6,5% para a economia chinesa em 2018 após avanço de 6,9% em 2017.

Na próxima semana, a reunião do Copom será o principal evento no período. Acreditamos que o comitê irá reduzir a taxa Selic em 25 pontos base, para 6,5% ao ano. Na nossa visão, o cenário de inflação ainda benigno no primeiro trimestre permitirá ao Banco Central flexibilizar a taxa de juros na próxima reunião. Acreditamos ainda que a taxa Selic ficará estável nesse patamar por um período prolongado. Ainda no Brasil, o IBGE irá divulgar o IPCA-15 de março e o Banco Central anunciará publicar o índice de atividade de janeiro (IBC-Br) e a nota do setor externo. Projetamos alta de 0,05% para o índice de inflação, desacelerando de 0,38% em fevereiro. A moderação da inflação em março decorre da queda nos preços dos alimentos. Caso a nossa projeção se confirme, o indicador irá acumular alta de 2,74% em 12 meses, desacelerando de 2,86% no mês anterior. No âmbito internacional, as atenções do mercado estarão voltadas para reunião do FOMC. Esperamos que o comitê elevará a taxa de juros em 25 p.b. deixando-a entre 1,5% e 1,75% ao ano. Ainda na semana, haverá a divulgação de diversos dados de confiança nos Estados Unidos e Europa. 

 

 
 

 


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