12/03/2018 - 08:48 | Economia

MERCADO FINCEIRO

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS 

No Brasil, IPCA confirma a manutenção de um cenário de preços contidos. Nos EUA, geração de vagas surpreende positivamente em fevereiro.  

No Brasil, a inflação (IPCA) de fevereiro avançou em linha com o esperado, permanecendo em patamar baixo. Após alta de 0,29% em janeiro, o IPCA de fevereiro apresentou alta de 0,32%, em linha com a nossa projeção (0,32%), e um pouco acima do mercado (0,31%). Em 12 meses, o IPCA ficou praticamente estável entre janeiro e fevereiro (2,86% ante 2,84%), seguindo abaixo do piso do intervalo de tolerância do BC (3%). Entre os grupos, destaque para a desaceleração na margem do grupo alimentação e bebidas que voltou a registrar deflação (-0,33%), e para a continuidade do grupo vestuário em terreno negativo (-0,38%). Em virtude da sazonalidade do período (matrículas escolares), educação apresentou a maior aceleração (+3,89%). Em termos qualitativos, o dado de fevereiro sugere que a inflação seguirá bem comportada. Enquanto o IPCA de serviços manteve a sua tendência de baixa, desacelerando de 4,3% para 4,2% em termos anuais entre janeiro e fevereiro, a média dos núcleos de inflação também cedeu de 3,4% para 3,2% no período. Por fim, o índice de difusão ficou em 48,5%, frente ao patamar de 58,1% em janeiro. O IPCA de fevereiro reafirma nossa convicção de preços contidos no médio prazo. Por isso, mantemos a projeção de 3,5% para a inflação nesse ano. 

A produção industrial (PIM) de janeiro reverteu parte da alta de dezembro. Na margem, a PIM contraiu 2,4% em janeiro, devolvendo parte da alta de 3,1% em dezembro. O resultado foi ligeiramente melhor do que a nossa projeção (-2,6%) e pior do que a estimada pelo mercado (-2%). Na composição do indicador, a produção de bens intermediários cedeu 2,4%, enquanto a produção de bens de consumo recuou 1,6%, desempenho que contou com desaceleração na produção de veículos. A produção de bens de capital, por seu turno, apresentou leve recuo de 0,3%. Apesar do resultado mais fraco na margem, a produção industrial expandiu 5,7% em termos anuais, um pouco acima da nossa hipótese de crescimento de 5,2% da PIM no trimestre. Portanto, mantemos a nossa hipótese de crescimento de 0,7% do PIB no primeiro trimestre e alta de 3% no ano.

Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho segue aquecido com forte geração de empregos. Em fevereiro, a economia americana registrou a criação de 313 mil postos de trabalho, superando a expectativa de geração de 205 mil vagas. Embora a taxa de desemprego tenha se mantido em 4,1%, ficando acima da expectativa de 4%, podemos considerar um bom resultado dado que houve uma aceleração na taxa de participação de pessoas no mercado de trabalho (de 62,7% para 63%). O lado negativo do relatório ficou conta do comportamento dos salários. Em fevereiro, os salários subiram 2,6% na comparação anual em termos nominais, abaixo da expectativa de 2,8% e do resultado de janeiro (2,9%). Vale lembrar que o dado de salários no mês de janeiro foi afetado em parte pelo aumento do salário mínimo em 18 estados. A forte geração de empregos reflete a robustez da atividade e reforça o nosso cenário de quatro altas de juros pelo FED nesse ano.

Na Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve o escopo da política monetária, mas alterou o seu comunicado. Conforme o esperado, o BCE manteve a taxa principal de juros em zero e a taxa de depósito negativa em 0,4% a.a. Já a taxa de empréstimos segue em 0,25% a.a. Nessa mesma linha, o programa de compra de títulos foi mantido em 30 milhões de euros até setembro. A novidade ficou por conta do comunicado, o qual contou com a retirada da menção sobre a ‘possibilidade de aumento do atual programa de compras de títulos, caso o cenário piore’. Em sua coletiva após a reunião, o presidente do BCE, Mário Draghi, reforçou o quadro de melhora da atividade na região como justificativa para a alteração no comunicado, mas frisou que mudanças efetivas na condução da política monetária dependerão da evolução da inflação, o que exige cautela. Avaliamos que nos próximos meses o BCE irá anunciar que não prorrogará para além de setembro o atual programa de compra de títulos.

Na China, a inflação ao consumidor (CPI) de fevereiro surpreendeu a expectativa do mercado. Em termos anuais, o CPI entre janeiro e fevereiro acelerou de 1,5% para 2,9%, superando a expectativa do mercado (2,5%). A inflação de alimentos foi a principal contribuinte para essa aceleração, saindo de -0,5% em janeiro para 4,4%. Excluindo alimentação, o CPI sairia de 2% para 2,5%. Os dados de crédito em fevereiro, por seu turno, moderaram em linha com o processo de aperto monetário. Entre janeiro e fevereiro o indicador de agregado financeiro desacelerou de 5,4% para 5,1%. No mesmo período em 2017, o agregado monetário expandia num ritmo de 6,9%. É válido pontuar que nesse início de ano os dados de China devem ser lidos com cautela em decorrência da distorção de calendário (ocorrência do Ano Novo Lunar). Para 2018, mantemos o nosso cenário de desaceleração do PIB para 6,5% (de 6,9% em 2017) e inflação abaixo da meta (3%). 

Na próxima semana, internamente teremos a divulgação da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de janeiro. No calendário global, destaque para os números de inflação na Zona do Euro e EUA, além dos dados de atividade econômica na China (vendas no varejo, comércio e indústria).

 

 
 
 

 


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