09/03/2018 - 08:39 | Previdência

Previ vai zerar seu déficit no fim do primeiro trimestre, diz presidente

Gueitiro Genso anuncia um novo sistema de avaliação dos investimentos para evitar riscos

Gueitiro Genso anuncia um novo sistema de avaliação dos investimentos para evitar riscos

 
 
Presidente da Previ, Gueitiro Guenso Presidente da Previ, Gueitiro Guenso - Zo Guimaraes/Folhapress
9.mar.2018 às 2h00
Julio Wiziack
Brasília e Rio de Janeiro

Maior fundo de pensão do país, com 200 mil associados e R$ 165 bilhões em investimentos, a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, está virando uma página de sua história centenária.

Nesta sexta (9), o presidente da entidade, Gueitiro Genso, no cargo desde 2015, anuncia a reversão de perdas de R$ 16 bilhões e um novo sistema que será usado na avaliação dos investimentos para evitar riscos desnecessários.

A Previ deixará o comando de todas as empresas vendendo ações -- inclusive as da Vale. "Seremos cada vez mais um minoritário de referência."

Nos últimos três anos, a fundação teve perdas com a recessão e investimentos alvo da Lava Jato. Uma de suas maiores apostas, a BRF, mudou de gestão. Sob comando do grupo ligado a Abilio Diniz, teve prejuízo de R$ 1,1 bilhão e foi pega por duas operações da Polícia Federal.

A mais recente explodiu na manhã em que a BRF faria reunião, pressionada por Previ e Petros [fundo de pensão da Petrobras], para decidir sobre a troca do conselho da empresa. "Não tem nada de cunho pessoal. A companhia precisa de um novo ciclo."

 

Folha - Quando a Previ reverterá seu déficit?

Gueitiro Genso - Até o fim deste trimestre.

Como conseguiram reverter um déficit de R$ 16 bilhões?

Nunca tivemos rombo. Nosso associado não teve que botar a mão no bolso. Os 12 ativos [investimentos] da carteira de renda variável, que concentra 95% [dessa carteira], eram de empresas como Ambev, Itaú, Bradesco, Vale e Petrobras, cujas ações estavam marcadas [pelo mercado] abaixo do que deveria. A Vale chegou a R$ 8 [a ação]. Hoje é R$ 41. As ações sofreram com a crise desde 2014 e, agora, estão voltando ao nível do que valem. Por isso chegamos ao equilíbrio.

Haverá superávit neste ano?

Já estamos até conversando com os associados [dos dois planos da Previ] para saber o que fazer com superávit neste ano, porque há chances.

O que farão com os recursos?

Provavelmente vamos reduzir a meta atuarial [rendimento mínimo exigido]. Hoje, ela é de INPC [inflação] mais 5%. Com inflação e juro baixos, o que a gente quer que continue, só aplicar em renda fixa não me garante a meta.[Reduzindo a meta], eu posso com os meus desinvestimentos [venda de ações] ir comprando títulos públicos.

Vocês vão sair da Vale?

Ficamos na Vale por duas décadas sem vender uma ação. Recentemente, participamos da revisão do acordo de acionistas que levou a empresa a ter seu controle diluído. Já temos metade de nossas ações livres para serem vendidas, mas vamos ainda esperar porque o momento para a Vale é positivo e queremos aproveitá-lo. Ainda temos três anos de [validade] de acordo de acionistas. A decisão de saída será tomada, mas no momento certo.

Isso é só com a Vale ou com todas as outras empresas?

Esse movimento de 50% mais uma (controle) acabou. Não queremos mais ser ativos em acordos de acionistas. Queremos ser cada vez mais um investidor minoritário de referência. Não estaremos na gestão das empresas mais. Preciso de retorno, estável e de longo prazo.

A Previ entrou em investimentos alvo da Lava Jato ou que deram errado, como a Oi. Como a nova estratégia pode garantir risco baixo nas empresas investidas?

Desde outubro desenvolvemos um rating de governança para as empresas em que investimos. Com base em questionário de 50 perguntas, testamos as informações prestadas pelas empresas para saber, por exemplo, se seguem as práticas socioambientais, se, de fato, estão comprometidas com retornos de longo prazo ou se nos expõem a um risco maior do que estamos dispostos a assumir. Não há uma agência que calcule o rating de governança de uma empresa. É o que estamos criando aqui e isso vai definir também se investimos ou não numa companhia. Ou desinvestimos.

Pode dar um exemplo como esse rating funciona?

Estar no Novo Mercado [que exige mais transparência das empresas] não é garantia de tudo. Você pode ter uma empresa com fluxo de resultado de longo prazo e acionistas com perfil de curto prazo. Para o rating de governança da empresa, isso é ponto negativo, sinal de que teremos instabilidade em algum momento, o que não vamos mais suportar.

Nesse rating, a BRF seria C?

Não (risos). A discussão ali é diferente.

Mas vocês querem destituir o conselho.

Somos acionistas. Nossa responsabilidade foi propor uma assembleia. Há uma chapa com nomes que fomos buscar. A gente espera que essa chapa seja eleita para rediscutir a estratégia da companhia.

Mas o que levou a isso? Foi só o prejuízo bilionário ou o envolvimento da BRF em operações da Polícia Federal?

Não tinha a mínima ideia dessa operação [Trapaça], nem da anterior [Carne Fraca]. A assembleia era o único poder que a gente tinha na BRF. A gente acha que essa empresa tem capacidade de crescimento com as marcas fortes [Sadia e Perdigão]. As duas marcas são orgulho dos brasileiros.

Sem participar da estratégia, como vão garantir retorno?

É o conselho que vai decidir isso [estratégia].

Teriam candidato a presidente da empresa?

Nada de cunho pessoal. A gente acha que a companhia precisa de um novo ciclo. Mas isso [a troca de presidente] quem decide é o conselho.

A operação da PF ajudou a reforçar a necessidade de troca do conselho?

A gente perdeu R$ 600 milhões com isso.

Ajudou ou não?

Sob nenhum aspecto isso foi bom. Somos investidores. Isso prejudica. A gente não quer, por poder, olhar para o ativo a qualquer custo. Não somos ativistas.

Esse rating de governança é também um jeito de dificultar ingerências políticas?

Não há ingerência política na Previ. Na Sete [Brasil, empresa investigada na Lava Jato por corrupção], entramos com R$ 180 milhões só. Nossa área técnica foi acionada quando, em um segundo momento, queriam que colocássemos mais R$ 1 bilhão e tanto. Não entramos. À época [2010], quando o investimento foi feito, entraram fundos de pensão, bancos, fazia sentido.

Na JBS, não entramos. O fundo Eldorado [pego na operação Greenfield] foi reprovado por unanimidade [na Previ]. No fundo Global Equity [também pego na Greenfield], colocamos só R$ 80 milhões. Fomos vítimas de um fundo.

Então pouco do déficit saiu da Lava Jato?

Isso aqui não existe. Com a Sete, provisionamos as perdas, ela está em recuperação judicial. Na Invepar, o problema é a contaminação pela OAS [pega na Lava Jato]. Mesmo com a recessão, a Invepar teve desempenho de 75% acima da nossa meta. Algumas coisas acabam se mistificando.

Sobre a PREVI

Quantos são? 

200 mil associados, funcionários do BB 

Quais são os planos? 

Plano 1 

Previ Futuro

R$ 12 bilhões

É o valor pago por ano pela Previ para os 103 mil aposentados e pensionistas; a maior parte está no Plano 1, daqueles que entraram até 1997 no banco 

R$ 165 bilhões  

É o valor de investimentos da carteira dos Plano 1 e Previ Futuro

 
 
 

 

 
 

Endereço da página

  • https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/03/previ-vai-zerar-seu-deficit-no-fim-do-primeiro-trimestre-diz-presidente.shtml

Comentários

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JORGE PEREIRA DA SILVA

Há 3 horas

Os fundos de pensão públicos tem que acabar, todos são aparelhados politicamente, por exemplo colocar dinheiro na BRF foi erro lá no começo num acordo espúrio entre Lula e seu amigo Abilio Diniz. Na iniciativa privada há vários exemplos de sucesso: Mercedes Benz, Volkswagen, 3M e outros, são auditados e sua gestão dos recursos é terceirizada para bancos de primeira linha. O do correios quebrou seus funcionários da ativa e inativos estão aumentando o aporte. A galinha de ovos de ouro vai acabar.

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Denis Tavares

Agora

Ele não irá falar, mas tem um monte de fontes que afirmam a ingerência sobre os grandes fundos de pensão. Todos sabem que FHC determinou que a Previ comprasse a Vale no leilão (não aparecia interessados e, assim, a empresa continuaria nas mãos de brasileiros). Mas, com Lula, a coisa virou politiqueira: (Notícia de 2009): "seis (dos maiores fundos de pensão) estão sob comando do PT e a maioria deles ainda é dirigida por apadrinhados dos ex-ministros petistas José Dirceu e Luiz Gushiken"

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