06/03/2018 - 10:57 | Economia

SÍNTESE ECONÔMICA DE FEVEREIRO

SÍNTESE ECONÔMICA DE FEVEREIRO

SÍNTESE ECONÔMICA DE FEVEREIRO 

COPOM reduz novamente a Selic e sinaliza a possibilidade de encerrar o ciclo de corte de juros. Nos EUA, FED deve executar quatro altas da taxa de juros no ano. 

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar os juros em 25p.b., conforme o esperado, levando a taxa Selic para 6,75% a.a. A decisão foi unânime e confirmou a sinalização de que o corte seria menor do que o executado em dezembro (50p.b.). Como principal mensagem do comunicado, o Copom afirmou que caso o cenário evolua dentro do esperado até a reunião de março, a decisão mais apropriada será a de manter a Selic em 6,75% a.a. A decisão de reduzir o ritmo de corte de juros contemplou a melhora da avaliação sobre a atividade econômica e a manutenção do quadro positivo para a economia global, apesar de reconhecer o aumento da volatilidade recentemente como um fator de risco. Ademais, não tivemos alteração significativa em seu balanço de riscos para o horizonte relevante da política monetária, assim como a interpretação de que o estado atual da economia ainda prescreve uma política monetária acomodatícia, com juros reais abaixo do nível neutro. Assim, por ora, o Copom anunciou a interrupção do ciclo de corte. No entanto, caso haja mudanças na evolução do cenário básico e do balanço de riscos, o comitê poderá promover uma flexibilização adicional na próxima reunião. Na nossa visão, as recentes surpresas baixistas com o IPCA de janeiro e o IPCA-15 de fevereiro frente ao projetado pelo Banco Central em seu último Relatório de Inflação abriram espaço para um corte adicional de 25p.b. na reunião de março. Assim, acreditamos que a taxa Selic encerrará o ano em 6,5% a.a.

Em termos de dados econômicos, a inflação segue em sua tendência de baixa, enquanto a atividade dá sinais consistentes de recuperação. O IPCA-15 de fevereiro mostrou alta de 0,38%, em linha com nossa projeção de 0,37%. No acumulado em 12 meses, o indicador desacelerou para 2,86%, ante 3,02% no mês passado, ficando abaixo do piso do intervalo de tolerância do BC (3,0%). A abertura do dado também se mostrou benigna. Entre os principais grupos do indicador, houve importante desaceleração de alimentos no domicílio. Este passou de 0,97% na primeira prévia de janeiro, para 0,13% nesta divulgação. As medidas de núcleo também apresentaram uma dinâmica favorável, com a desaceleração da média dos núcleos de 3,62% para 3,30%.  Em resumo, o resultado corrobora em grande parte a leitura benigna observada no IPCA de janeiro e, com isso, sugere um viés baixista não só para a inflação dos próximos meses, mas também para a inflação no médio prazo. Por sua vez, o indicador de atividade IBC-Br divulgado pelo Banco Central mostrou que a economia brasileira cresceu 1,04% em 2017. Somente em dezembro o dado cresceu 1,41%, apontando um ritmo favorável na virada do ano. Com isso, o carry over para 2018 deve ser positivo em 1,0%, segundo nossos cálculos, contribuindo para o crescimento de 3% do PIB nesse ano.

Nos Estados Unidos, a ata do FED (Banco Central Americano) mostrou maior confiança dos membros no cenário prospectivo, e corrobora nosso cenário de quatro altas dos juros no ano. Desde janeiro, os dados têm se mostrado mais em linha com um cenário de recuperação robusta e inflação mais perto da meta de 2,0%. Além disso, o Congresso americano deu aval ao orçamento que estabelece um gasto adicional de 300 bilhões de dólares nos próximos 24 meses. Adicionalmente, o documento divulgado pelo autoridade monetária mostrou sinais de maior confiança no cenário prospectivo, o que vem em linha com nosso cenário de quatro altas de juros neste ano. Até então, esperávamos três altas nas taxas dos Fed Funds, mas as informações acumuladas até o momento reforçam um cenário mais favorável para a economia americana. Essa trajetória de recuperação é compatível com um maior aperto monetário.

Na Zona do Euro, a economia da região registrou a maior expansão desde 2007. No quarto trimestre, a revisão do PIB confirmou alta de 0,6% frente trimestre anterior e 2,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. No trimestre anterior, a economia da região havia avançado 0,7% na margem e 2,8% na comparação anual. Com isso, a economia da Zona do Euro avançou 2,5% em 2017 após expansão de 1,8% em 2016. Essa foi a maior expansão da economia da região desde 2007, quando avançou 3,0%. Ainda na região, a ata do Banco Central Europeu (BCE) reafirmou a confiança dos membros no ritmo de recuperação da região, assim como foi mantido o discurso de cautela a respeito da dinâmica inflacionária abaixo da meta perseguida pela instituição (2%). Com isso, o BCE indicou a continuidade das atuais medidas de estímulo à economia, sem alterações no curto prazo.

Na China, a confiança desacelerou em fevereiro e pode estar refletindo os esforços de redução dos níveis de alavancagem da economia. O PMI da China registrou queda de 1 ponto e atingiu 50,3 pontos em fevereiro e ficou abaixo do esperado. Parte dessa queda pode ser efeito do feriado do ano novo chinês e assim deve ser relativizada. Por outro lado, o PMI mais fraco em fevereiro também em parte é resultado do enfraquecimento da demanda doméstica, que reflete intensificação dos esforços de desalavancagem nos investimentos em infraestrutura e da redução do nível de endividamento das famílias. Essa diminuição dos investimentos em infraestrutura fica claro na queda das novas ordens que foi maior que a desaceleração das novas ordens de exportação. O componente de inflação no atacado também desacelerou e atingiu 49,2 pontos, sendo que essa é a primeira vez desde junho de 2017, que o indicador fica abaixo de 50 pontos, e indicaria que a inflação no atacado deverá desacelerar nos próximos meses.

 

 

 
 
 

 


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