05/03/2018 - 11:00 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

No Brasil, a economia cresceu 1,0% em 2017 e o desempenho setorial sinaliza recuperação em 2018. Nos Estados Unidos, presidente do FED indica maior alta de juros ao longo desse ano.

 

O PIB do quarto trimestre de 2017 registrou alta moderada, mas o crescimento dos investimentos e da indústria reforçam expectativa de intensificação da recuperação em 2018. A economia cresceu 0,1% na margem no quarto trimestre de 2017, e ficou abaixo da nossa expectativa que era alta de 0,3% na mesma base de comparação. Na comparação anual, a economia cresceu 2,1% (YoY) e terminou o ano com expansão de 1,0%. O resultado mais fraco no quarto trimestre deveu-se ao menor crescimento do consumo e do setor de serviços. O consumo das famílias cresceu 0,1% na margem, e ficou abaixo da nossa expectativa que era alta de 0,6% nessa base de comparação. Esse desvio provavelmente deveu-se ao menor consumo de serviços, o que se refletiu no desempenho do setor, que cresceu 0,2% na margem. Apesar dessas frustrações, a indústria registrou forte desempenho e cresceu 0,6% na margem no quarto trimestre. O crescimento da indústria de transformação, que expandiu 1,5% na margem, foi o destaque do setor. A construção civil registrou estabilidade na margem no quarto trimestre, e também surpreendeu positivamente. Esse melhor resultado da construção civil impactou positivamente os investimentos, que cresceram 2,0% na margem no quarto trimestre. Apesar da frustração do crescimento do quarto trimestre, os setores mais dinâmicos e ligados à política monetária estão respondendo como a indústria e a construção civil. Assim, mantemos nossa expectativa de recuperação da economia à medida que o impacto dos estímulos de política monetária sejam transmitidos para o crédito, o consumo e o investimento. Nossa expectativa de crescimento de 3,0% em 2018 fica mantida.

A taxa de desemprego teve ligeira alta em janeiro com aumento da procura de emprego e os salários mantiveram ganhos reais mais moderados. A taxa de desemprego subiu de 12,4% para 12,5% na passagem de dezembro para janeiro já descontados os efeitos sazonais. Essa alta da taxa de desemprego deveu-se a maior procura por trabalho, que resultou na alta de 0,1% na margem da população economicamente ativa. Por outro lado, a população ocupada ficou estável na margem em janeiro, o que elevou a taxa de desemprego. Os salários reais subiram 1,6% na comparação anual e seguem com ganhos moderados, e desacelerando em relação ao ganho médio de 2,2% observado ao longo de 2017. A massa salarial registrou alta real de 3,6% em termos anuais. Apesar dessa alta, a massa salarial ficou estável na margem em janeiro. Os dados de mercado de trabalho, que incluem o emprego formal e informal, foram mais fracos em janeiro, mas quando avaliamos somente a geração de vagas formais, os resultados são mais animadores. Segundo o Ministério do Trabalho, foram geradas 77,8 mil vagas em janeiro, e essa foi a primeira geração de vagas desde janeiro 2014. Em termos dessazonalizados, a economia gerou 67,8 mil postos de trabalho, o que resultou no aumento da média móvel de três meses de 50 mil para 60 mil vagas entre dezembro e janeiro desse ano. A recuperação do emprego formal é importante para a confirmação do nosso cenário de recuperação da economia, pois indica uma melhora mais estrutural do mercado de trabalho. 

O resultado do setor público surpreendeu positivamente em janeiro com o reflexo da recuperação robusta de receitas e o maior controle das despesas. O setor público consolidado registrou superávit de R$ 46,9 bilhões frente superávit de R$ 36,7 bilhões em janeiro do ano anterior. O resultado ficou acima da nossa expectativa R$ 43 bilhões e o mercado R$ 37,1 bilhões. O resultado de janeiro decorreu do superávit de R$ 36,5 bilhões do governo central e de R$ 10,4 bilhões dos governo regionais e empresas estatais. A robusta recuperação das receitas em janeiro, com alta em termos reais de 11,7% na comparação anual, explica a elevação do resultado primário na comparação anual. As despesas totais registraram avanço de 1,6% em temos reais. No acumulado em 12 meses, o setor público totaliza déficit de R$ 100,4 bilhões (1,5% do PIB) na comparação com R$ 110,6 bilhões (1,7% do PIB) em dezembro de 2017. Ainda em janeiro, a dívida bruta atingiu 74,5% do PIB, alta de 5 pontos base frente o final de 2017. Já a dívida líquida teve elevação de 2 p.b alcançando 51,8% do PIB. Acreditamos que a recuperação da economia deve contribuir para a elevação das receitas ao longo do ano. Assim, projetamos déficit de R$ 117 bilhões para setor público consolidado em 2018, abaixo da meta para o ano (R$ 161,3 bilhões),  após déficit de R$ 110,6 bilhões em 2017.

Nos Estados Unidos, o testemunho do novo presidente do FED indicou que cenário de quatro altas da taxa de juros tornou-se mais provável esse ano e dados de confiança seguem em patamares recordes. O discurso do presidente do FED, Jerome Powell, indicou que desde a última reunião os indicadores recentes de atividade sugerem intensificação da recuperação da economia e do mercado de trabalho. Além disso, o crescimento global mais firme e os novos estímulos fiscais se juntaram a esse cenário favorável de economia e, segundo Powell, aumentaram a convicção que a inflação que a inflação seguirá em alta e atingirá a meta de 2,0%. Quando perguntado sobre a trajetória de juros, Powell reconheceu que as novas informações recebidas desde a reunião de dezembro deverão levar a uma reavaliação da trajetória de juros que ele espera para a economia ao longo de 2018. Ele não generalizou essa visão para os demais membros do FED, mas deixou claro que seu viés é reavaliar para cima a sua trajetória de juros. Esse testemunho do presidente do FED reforça nossa expectativa de quatro altas de juros em 2018, e será provável que na próxima reunião no dia 21 de março, a mediana das projeções de juros do comitê indiquem a revisão de três para quatro altas de juros. Paralelamente a melhora avaliação da economia pelo FED, os dados de confiança seguem fortes. O ISM da indústria subiu de 59,1 para 60,8 pontos entre janeiro e fevereiro e atingiu o novo patamar máximo desse ciclo. Entre os componentes, os destaques foram para o indicador de emprego e novas ordens de exportação que indicam novas contrações e o impacto do crescimento global.

Na Europa, a taxa de desemprego ficou estável em janeiro e a confiança desacelerou em fevereiro, mas segue em patamar elevado. A taxa de desemprego ficou estável em janeiro e atingiu a média 8,6% para os países da Zona do Euro. Em 12 meses, a queda da taxa de desemprego tem sido rápida e acumula redução de 1 ponto percentual. Entre os países da Zona do Euro, as maiores quedas nos últimos 12 meses até janeiro desse ano foram na Espanha e Holanda, que registraram recuo de 2,1 e 1,1 pontos percentuais das taxas de desemprego. A Alemanha e França também se beneficiaram do fortalecimento do mercado de trabalho, e suas taxas de desemprego recuaram 0,3 e 0,7 ponto percentuais no mesmo período. O PMI da indústria registrou nova desaceleração em fevereiro e atingiu 58,6 pontos frente ao patamar de 59,6 pontos de janeiro. Apesar da queda de fevereiro, o patamar da confiança segue elevado e foi impactado pela acomodação das novas ordens, que refletem a queda das novas ordens de exportação que estão contraindo pelo terceiro mês consecutivo. Esse recuo das ordens de exportação é reflexo da apreciação recente do euro. Em termos dos países da Zona do Euro, a confiança moderou na Alemanha, França e Itália após ter atingido os máximos históricos na virada do ano. Por outro lado, a confiança na Espanha surpreendeu positivamente e reflete a economia doméstica robusta, o aumento da demanda externa e o mercado de trabalho em recuperação.  O PMI da Espanha atingiu 56 pontos e está no patamar mais alto dos últimos três meses.

Na China, a confiança desacelerou em fevereiro e pode estar refletindo os esforços de redução dos níveis de alavancagem da economia. O PMI da China registrou queda de 1 ponto e atingiu 50,3 pontos em fevereiro e ficou abaixo do esperado. Parte dessa queda pode ser efeito do feriado do ano novo chinês e assim deve ser relativizada. Por outro lado, o PMI mais fraco em fevereiro também em parte é resultado do enfraquecimento da demanda doméstica, que reflete intensificação dos esforços de desalavancagem nos investimentos em infraestrutura e da redução do nível de endividamento das famílias. Essa diminuição dos investimentos em infraestrutura fica claro na queda das novas ordens que foi maior que a desaceleração das novas ordens de exportação. O componente de inflação no atacado também desacelerou e atingiu 49,2 pontos, sendo que essa é a primeira vez desde junho de 2017, que o indicador fica abaixo de 50 pontos, e indicaria que a inflação no atacado deverá desacelerar nos próximos meses.

Na agenda internacional, os dados do mercado de trabalho da economia americana de fevereiro são o destaque da próxima semana. Para o relatório do mercado de trabalho que será divulgado na sexta-feira, a expectativa é que a geração de vagas siga forte em 205 mil postos de trabalho e a taxa de desemprego registre queda adicional para 4,0%. Na Europa, os destaques são a reunião do BCE e os dados de varejo de janeiro. Na China, serão divulgados os dados da balança comercial e da inflação ambos de fevereiro. No Brasil, os destaques são as divulgações da produção industrial de janeiro na terça-feira, que esperamos queda de 2,0% na margem, e o IPCA de fevereiro na sexta-feira, que projetamos alta de 0,32%.

 

 

 

 

 
 

 

 


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