15/02/2018 - 10:56 | Economia

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS DO MERCADO

RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS

OPOM reduz novamente a Selic e sinaliza fim do ciclo de corte de juros.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar os juros em 25p.b., conforme o esperado, levando a taxa Selic para 6,75% a.a. A decisão foi unânime e confirmou a sinalização de que o corte seria menor do que o executado em dezembro (50p.b). Como principal mensagem do comunicado, o Copom afirmou que caso o cenário evolua dentro do esperado até a reunião de março, a decisão mais apropriada será a de manter a Selic em 6,75% a.a. A decisão de reduzir o ritmo de corte de juros contemplou a melhora da avaliação sobre a atividade econômica e a manutenção do quadro positivo para a economia global, apesar de reconhecer o aumento da volatilidade recentemente como um fator de risco. Ademais, não tivemos alteração significativa em seu balanço de riscos para o horizonte relevante da política monetária, assim como a interpretação de que o estado atual da economia ainda prescreve uma política monetária acomodatícia, com juros reais abaixo do nível neutro. Após a decisão do Copom em fevereiro, mantivemos a expectativa de que a taxa Selic permanecerá em 6,75% a.a. ao longo desse ano, mas não descartamos a possibilidade de um corte adicional da taxa de juros em março em virtude de surpresas com a dinâmica inflacionária.

Em janeiro, o IPCA manteve a dinâmica de preços contidos, apresentando inflação abaixo do esperado. No mês o IPCA teve variação de 0,29%, abaixo da nossa projeção (0,40%) e do mercado (0,41%). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 2,86% (ante 2,95% no IPCA de dezembro), se distanciando do piso do intervalo de tolerância do Banco Central (3,0%). Entre os grupos, as maiores surpresas se concentraram no grupo de alimentos e bebidas (-4 p.b) e vestuário (-4 p.b). A inflação de serviços, por sua vez, teve alta de 0,16% na margem (ante projeção de 0,36%), levando o IPCA de serviços em 12 meses de 4,5% em dezembro para 4,3% em janeiro. Quanto aos aspectos qualitativos da inflação de janeiro, a métrica que exclui os bens mais voláteis e captam os bens mais sensíveis ao ciclo de política monetária também cedeu de modo importante, saindo de 3,6% em dezembro para 3,3% em janeiro. Já o índice de difusão que exclui o item alimentação recuou de 58,8% para 53,6% entre dezembro e janeiro. Esse resultado corrobora nossa visão de que a inflação deve se manter bem comportada no médio prazo. Nesse sentido, para 2018, revisamos nossa projeção de 3,9% para 3,7%. 

Em termos de atividade, as vendas no varejo tiveram um desempenho mais fraco em dezembro. As vendas no varejo restrita (exclui vendas de veículos e material de constrição) recuaram 1,5% na margem, contração maior do que esperada pelo mercado (-0,4%). Na composição do indicador, os recuos mais pronunciados ocorreram no grupo de supermercados (-3%), eletrodomésticos (-2,7%) e no segmento de livros, jornais e revistas (-4%). Essas quedas podem ser explicadas em parte pelo movimento de antecipação das compras em virtude da realização do Black Friday em novembro. Quando consideramos o conceito ampliado das vendas no varejo, o comércio recuou 0,8% na margem, abaixo da contração esperada pelo mercado (-0,9%). Compondo esse indicador, as vendas de veículos cederam 0,1%, enquanto as vendas de material de construção recuaram 1,7%. No trimestre, o comércio restrito apresentou recuo de 0,5% em relação ao trimestre anterior, enquanto o comércio ampliado teve avanço de 0,5% no volume de vendas. Embora na margem os números tenham apresentado alguma fraqueza, ao compararmos desempenho de dezembro com o mesmo período em 2017, notamos uma expansão tanto do segmento restrito (3,3%), como no ampliado (6,4%), o que denota que o cenário de recuperação da economia se mantém. Com isso, mantemos nossa expectativa para o crescimento de 1% em 2017 e 3% em 2018.          

Nos EUA, o relatório de oferta de trabalho (JOLTS) de dezembro mostrou alguma moderação na margem. A taxa de abertura de vagas foi de 3,8%, desacelerando em relação ao mês de novembro (3,9%), enquanto a taxa de contratação desacelerou de 3,8% para 3,7%. O lado positivo do relatório ficou por conta da aceleração da taxa de demissões voluntárias, que subiu de 2,1% para 2,2%, o que revela uma maior confiança dos trabalhadores com o atual cenário econômico. Essa moderação no JOLTS não indica uma reversão da melhora obtida no mercado de trabalho. Os demais indicadores sobre as condições do emprego nos EUA apontam que a tendência de melhora deve persistir nos próximos meses, o que reforça nossa expectativa de alta de juros pelo FED na reunião de março.

Na Europa, a produção industrial na Alemanha recuou em dezembro conforme o esperado. Na margem, a indústria alemã recuou 0,6%, contando com recuou de 1,7% na indústria relacionada à construção, e o recuo de 0,8% na indústria de transformação. Apesar do resultado fraco em dezembro, a produção industrial da Alemanha encerrou o trimestre com crescimento de 0,7% na margem, após alta de 1,1% no terceiro trimestre. Em termos anuais, a produção industrial acelerou de 5,5% em novembro para 6,5% em dezembro. As pesquisas de confiança da indústria indicam a continuidade da expansão ao longo desse ano. A manutenção do crescimento robusto e difuso na Zona do Euro será fundamental para que o Banco Central Europeu encerre o seu programa de compras mensais de títulos em setembro.  No Reino Unido, o Banco Central (BoE) manteve por unanimidade a taxa de básica em 0,5% a.a., conforme o esperado pelo mercado. No comunicado após reunião, o BoE melhorou sua avaliação sobre o crescimento do país, sugerindo que essa dinâmica deve requerer uma antecipação do aperto de juros, elevando a chance da alta de juros ocorrer no primeiro semestre, ao invés de novembro como o mercado esperava.  

Na China, a inflação ao consumidor (CPI) apresentou moderação em janeiro em linha com o esperado. O CPI de janeiro apresentou variação de 1,5%, cedendo em relação ao patamar de dezembro (1,8%). Entre os componentes, a inflação de alimentos se manteve em terreno deflacionário (-0,5%), enquanto o índice de inflação que exclui alimentos cedeu de 2,4% para 2,0%, contando com desaceleração importante do segmento de serviços (de 3,0% para 2,3%). A inflação ao produtor (PPI), por seu turno, manteve a tendência de desaceleração. Entre dezembro e janeiro o PPI desacelerou de 4,9% para 4,3%, com destaque para a menor pressão do grupo de petróleo e de minerais não metálicos. Embora os números de janeiro devam ser analisados com cautela em virtude da ocorrência do Ano Novo Lunar em período distinto do ocorrido em 2017, podemos concluir que a inflação na China segue contida, com o CPI distante da meta de 3,0%.

Na próxima semana, o destaque da agenda de indicadores econômicos ficará por conta da divulgação dos dados de vendas no varejo e inflação nos EUA. Internamente, teremos a divulgação da ata da última reunião do Copom.

 

 

 


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