04/12/2017 - 09:57 | Economia

Eleições de 2018 devem concentrar lançamento de ações no 1º semestre

Eleições de 2018 devem concentrar lançamento de ações no 1º semestre

Eleições de 2018 devem concentrar lançamento de ações no 1º semestre

  Rodrigo Capote/Folhapress  
Posto de combustível da bandeira BR; ações da distribuidora da Petrobras devem ir à Bolsa no próximo dia 13
Posto de combustível da bandeira BR; ações da distribuidora da Petrobras devem ir à Bolsa no próximo dia 13

DANIELLE BRANT
DE SÃO PAULO

04/12/2017 02h00

 

As incertezas provocadas pelas eleições de 2018 devem levar as empresas que quiserem lançar ações na Bolsa a concentrar as ofertas no primeiro semestre, a fim de evitar que uma eventual volatilidade no mercado acionário contamine o preço de seus papéis e afugente investidores.

O desafio das empresas será tentar enxergar alguma definição em uma disputa eleitoral que pode se tornar polarizada entre um candidato reformista e um nome contrário à agenda pró-mercado do atual governo.

 

"No semestre de eleição, é natural uma desaceleração ou pausa enquanto não houver definição de cenário e de políticas econômicas do novo governo. Se houver essa clareza, o mercado vai retomar", diz Vanessa Fiusa, sócia da área de mercado de capitais do escritório Mattos Filho.

Para Ivan Clark, sócio de mercado de capitais da consultoria PwC, a janela de lançamentos deve se situar entre maio e junho. "Depois disso, vai fechar. A Bolsa vai ter um ano positivo, mas a grande dúvida são as eleições. E qualquer dúvida gera incerteza e prejudica demais o mercado de capitais", afirma.

A vitória de um candidato contrário à agenda reformista não significa, porém, que as empresas vão represar o lançamento das ações pelos quatro anos que durar o novo governo, diz Sergio Fogolin, sócio da área societária do escritório Siqueira Castro.

"Se tiver alguma janela de abertura e as empresas que estiverem aptas virem, elas vão encarar o novo governo, dentro das premissas de mercado, com uma precificação mais alinhada ao cenário."

Mesmo com a instabilidade política, o Brasil ainda é um dos emergentes com maior potencial de atrair investidores, diz Joel Roberto, responsável pela área de investment banking para América Latina do Deutsche Bank.

"O universo dos emergentes encolheu nos últimos anos. Rússia e Turquia ficaram mais difíceis de investir por vários motivos. O interesse do estrangeiro vai continuar."

A oferta da BR Distribuidora servirá como termômetro do apetite do investidor estrangeiro por ativos brasileiros, na avaliação de Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial. "Esse vai ser, na minha opinião, o segundo movimento de teste pelo qual o mercado vai passar. O primeiro foram os leilões de petróleo e de energia."

 
 

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