06/11/2017 - 16:54 | Economia

Bancos veem espaço para retomada da concessão de crédito

Bancos veem espaço para retomada da concessão de crédito

Bancos veem espaço para retomada da concessão de crédito

ANAÏS FERNANDES
DE SÃO PAULO

06/11/2017 02h00

 

Os maiores bancos privados do Brasil têm a avaliação de que há espaço para ampliar a concessão de crédito já no último trimestre do ano e prosseguir em alta ao longo de 2018, após as taxas de inadimplência de julho a setembro ficarem perto da estabilidade.

Depois de cerca de cinco anos seguidos reduzindo o crédito para a compra de veículos e a pequenas e médias empresas, o Itaú, maior banco privado do Brasil, afirma estar pronto para voltar a crescer nos segmentos.

"Foram carteiras que tiveram uma queda acentuada de forma deliberada em razão do apetite de risco. Acreditamos que esses movimentos estão concluídos e hoje temos apetite para crescer", disse Candido Bracher, presidente-executivo do Itaú.

O índice do banco por atraso acima de 90 dias no Brasil fechou setembro em 3,8%, bem abaixo dos 4,8% do terceiro trimestre de 2016.

No Bradesco, o segundo maior privado do país, o departamento de economia estima crescimento de 5% do crédito em 2018, apesar das dificuldades em ano eleitoral, segundo Carlos Firetti, diretor de relações com o mercado.

"O empréstimo à pessoa física tem mostrado mais vigor, com o índice de desemprego em queda, e estamos vendo também para a pessoa jurídica alguma possibilidade de estabilidade", disse. O índice de inadimplência na instituição ficou em 4,8% em setembro, 0,6 ponto percentual abaixo de um ano antes.

 

O Santander, único dos três grandes bancos a registrar alta na carteira de crédito no terceiro trimestre do ano, tem tentado estimular o financiamento imobiliário. Em julho, lançou a modalidade de contratação on-line, mas a linha continuou praticamente estagnada em R$ 27 milhões.

"Eu acredito que se comece a ver reflexo no aumento do crédito imobiliário no primeiro trimestre de 2018", disse Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil. Para o executivo, a inadimplência deve ficar estável no curto prazo —a taxa trimestral está em 2,9% desde o início do ano.

A carteira do banco foi impulsionada por empréstimos à pessoa física, que cresceu 5% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores.

"Estamos vendo o começo da retomada do consumo. E o Santander mostrou apetite um pouco maior na concessão", disse Felipe Silveira, analista da Coinvalores.

RESPIRO

Apesar disso, os demais bancos também destacam sinais de respiro já no terceiro trimestre, como a carteira de cartão de crédito do Itaú, que subiu 1,4% ante os três meses anteriores, ou o empréstimo para compra de veículos, que teve alta de 2% no Bradesco. "Parece pouco [a alta trimestral], mas é o primeiro crescimento depois de muito tempo", disse Alexandre da Silva Glüher, vice-presidente de relações com investidores.

Os bancos mantiveram as projeções para as carteiras até o fim do ano -nos balanços do segundo trimestre, haviam cortado suas previsões para concessão de empréstimo em 2017.

O avanço do crédito às empresas, sobretudo para as grandes, deve ficar para o próximo ano."As empresas ainda não entraram em uma fase de investimentos, estão em fase de ajustes. Há espaço para crescimento no ano que vem", afirmou Glüher.

"A inadimplência à pessoa física caiu porque os bancos foram seletivos. O que vai impactar mais a pessoa jurídica é a retomada da economia, que melhora a saúde financeira delas", diz Silveira.

 

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