31/10/2017 - 14:23 | Economia

O que é câmbio e política cambial?

O que é câmbio e política cambial?

O que é câmbio e política cambial?

FÁBIO TERRA

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Taxa de câmbio é o preço pelo qual uma moeda de um país compra a moeda de outro país - ou, às vezes, até mesmo de um conjunto de países, como é o caso do Euro.

Para reforçarmos o conceito, uma outra forma de lê-lo é: a taxa de câmbio é o valor pelo qual duas moedas nacionais são trocadas.

E quem é que troca a moeda do país A pela moeda do país B?

Ofertam moeda estrangeira:

- exportadores,
- investidores e turistas internacionais,
- tomadores de crédito no exterior,
- governos

Demandam moeda estrangeiras:

- importadores,
- investidores e turistas nacionais,
- credores nacionais de tomadores no exterior

Um exportador, por exemplo, paga suas contas em reais e precisa converter a moeda em que vendeu por reais.

Nós todos, quando vamos ao exterior, usamos a moeda do destino para consumirmos. Mesmo quando usamos cartões de débito ou crédito há, claro, troca de moeda. Mas, nestes casos, terceirizamos o serviço de conversão para a operadora do cartão e, claro, pagamos por ele.

Todas as trocas entre moedas nacionais ocorrem no mercado de câmbio.

Tomemos o dólar como exemplo. O confronto entre a oferta e a demanda por dólares forma a taxa de câmbio. Logo, se entre hoje e amanhã o câmbio 'sobe' (desvaloriza) significa que a demanda por dólares foi maior que a sua oferta. Assim, o real perde valor ante o dólar e, por isso, dizemos que o câmbio se desvalorizou.

A recíproca é o caso em que o câmbio 'cai', ou seja, quando o real se valoriza ante ao dólar.

POLÍTICA CAMBIAL

Ao irmos a uma casa de câmbio, corretora de valores ou a um banco demandar moeda estrangeira, vamos ao mercado cambial.

Nele há um outro grande participante: o Estado. Por meio de sua autoridade cambial, na maioria dos casos o próprio banco central, o Estado atua no mercado de câmbio para realizar a política cambial.

Ela pode acontecer por dois caminhos.

Por um lado, o Estado regulamenta o funcionamento do mercado cambial. No Brasil, é a regra, por exemplo, do pagamento de IOF ao usarmos o cartão de crédito no exterior.

Por outro lado, o Estado também pode vender e comprar dólares no mercado cambial, para buscar influenciar diretamente a taxa de câmbio.

A política cambial tem vários objetivos, dos quais os governos escolhem os seus, de acordo com seus planos. Alguns deles:

- estimular a competitividade internacional da produção local;
- incentivar a importação de máquinas e equipamentos;
- baratear as exportações da produção nacional;
- controlar a inflação;
- evitar que empresas endividadas em moeda estrangeira fragilizem muito seus balanços quando o câmbio se desvaloriza

Cada governo opta como realiza sua política cambial, mas certo é que, se todos só incentivarem suas exportações forçando uma desvalorização cambial artificial, o resultado será uma guerra cambial.

Como o mundo é um só, é impossível que todos os países vendam mais ao exterior do que dele importam. Logo, é preciso que o comércio exterior funcione por competição não cambial.

Faz sentido que países em desenvolvimento possam inicialmente usufruir de algumas ajudas, pois não possuem a tecnologia dos países desenvolvidos —não porque não quiseram tê-la, mas porque suas histórias são diferentes.

Contudo, isso deve ter prazo, para que esses países tenham a pressão de saberem se organizar para se desenvolverem.


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