05/08/2014 - 16:00 | Economia

Distribuidoras terão de pagar R$ 327 mi até sexta

A Aneel não deve postergar o prazo do desembolso de junho para não passar sinal ruim ao mercado

A Aneel não deve postergar o prazo do desembolso de junho para não passar sinal ruim ao mercado

Aneel se reunirá nesta terça

Aneel se reunirá nesta terça (ABR/VEJA)

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) votará em reunião da diretoria nesta terça-feira o valor de despesas das distribuidoras de energia no mercado de curto prazo em junho que será coberto com recursos da Conta ACR, criada por decreto para cobrir despesas das distribuidoras de energia. Segundo o diretor-geral da agência, Romeu Rufino, a despesa contabilizada para as distribuidoras em junho e que não está coberta pela tarifa de energia somam 327 milhões de reais.

Como o montante de junho é bem menor do que de maio, cujo pagamento foi postergado, o governo considerou pedir às distribuidoras que pagassem os 327 milhões com recursos próprios, pelo menos temporariamente. O mercado já estimava em aproximadamente 300 milhões a conta a ser paga neste mês, referente às despesas de junho. As distribuidoras têm até esta sexta-feira para desembolsar o dinheiro. Diferentemente do adotado na liquidação de maio, a Aneel não vai postergar o prazo do desembolso de junho para não passar um sinal "muito ruim" para o mercado. Investidores, sobretudo estrangeiros, questionam as empresas sobre os rumos do setor, cada vez mais imprevisível e dependente de aportes emergenciais.

Na semana passada a Aneel prorrogou o prazo para o pagamento pelas distribuidoras da energia comprada em maio, que totalizou 1,3 bilhão de reais. Esse prazo originalmente acabava no início de julho, mas foi adiado para o dia 31 de julho na expectativa de que o acordo com os bancos fosse fechado. Como isso não ocorreu, a Aneel adiou novamente a data, agora para 28 de agosto. 

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Rufino sinalizou que a tendência é que, nas próximas liquidações de operações financeiras de curto prazo, as distribuidoras tenham despesas inferiores a 1 bilhão de reais referentes ao que não é coberto pela tarifa de energia, mas ponderou que isso vai depender do consumo de carga de energia e do preço de energia de curto prazo (PLD). A seca prolongada, que reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas, e o acionamento das usinas térmicas têm provocado uma forte elevação no custo da energia no mercado. 

Rufino acrescentou que a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) votará na sexta-feira, em reunião de assembleia, a tomada de um novo empréstimo de 6,5 bilhões de reais junto a bancos para cobrir despesas das distribuidoras no curto prazo. Se aprovado, o financiamento deve chegar às mãos das companhias até o próximo dia 15.

Complicações - O Governo tem se deparado com mais dificuldades para fechar o financiamento com os bancos ao setor. O primeiro empréstimo, de 11,2 bilhões de reais, foi contratado com juros correspondentes ao CDI (taxa de juros interbancária), mais 1,9% ao ano. Para o novo valor negociado, de 6,5 bilhões de reais, as instituições querem uma remuneração maior. Por causa das limitações das instituições financeiras, desta vez, o governo vai contar com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O governo tem feito todo o esforço para ajudar financeiramente as distribuidoras na tentativa de evitar um reajuste ainda mais salgado nas tarifas de energia neste ano. Mesmo com o auxílio, a maioria das empresas tem obtido aumentos acima dos 10%. Segundo Rufino, os financiamentos às concessionárias elevarão a conta de luz em oito pontos porcentuais em 2015 e 2016.

(Com Estadão Conteúdo)

 
 

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